157: 16.Jan.2017

Hoje é o Aniversário da Vera, parabéns filhota pelos teus 51 anos. O primeiro ano em que não passamos os três juntos o que me trás uma profunda mágoa, uma tristeza enorme, um vazio incalculável.

Logo, iremos fazer uma visita à campa da Tina e renovar as flores. Embora a Mãe já não se encontre cá, em nome dela dei um presentinho à Vera.

Desactivei todas as minhas contas no Facebook porque já estava farto de encontrar, pelo caminho, gente cínica, hipócrita, miserávelista, criando falsas informações nas suas páginas mas postando frases moralistas – escritas por outros -, pretendendo mostrar ao Mundo serem gente de respeito, com dignidade, honestas e os outros é que são os malvados.

Fartei-me e ponto final. Infelizmente tenho de admitir, embora a muito custo, que vivo numa sociedade miserável, sem escrúpulos, sem dignidade, sem honestidade de princípios que fazem juízos de valor de quem nem sequer conhecem. Continuem a inserir posts moralistas a cheirarem a falsidade…

De regresso do cemitério, aqui ficam as imagens de hoje e um pequeno vídeo da Vera a tratar das flores.

29.Abr.2017

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95: 03.Out.2016

0-lutotransp200(actualização às 19:00 horas)

e-mails enviados hoje à CGA, CNP :

Para: ‘CGA Geral’ <cga@cgd.pt>

Boa tarde

Pretendo saber se o CNP já se dignou responder ao v/ e-mail e fax já que ainda não obtive qualquer tipo de resposta daquela instituição.

Tendo recebido hoje o meu cartão de pensionista (sobrevivência) com o nº. 000951812 01, pretendo saber, se possível, quando será paga as pensões de sobrevivência.

Obrigado,
========================

Para: _0CNP <cnp-pensoes@seg-social.pt>

Boa tarde

Sem qualquer resposta aos meus e-mails anteriores, apenas pergunto se V. Exas. conseguem (sobre)viver sem dinheiro. Gostaria de conhecer a fórmula.

Obrigado,

========================

Para: ‘apoio.msess@msess.gov.pt’

Boa tarde

Pretendo saber uma resposta ao meu e-mail infra.

Obrigado

=========================

Para: ‘iss-ip@seg-social.pt’

Boa tarde

Pretendo saber uma resposta ao meu e-mail infra.

Obrigado

=========================

Os e-mails infra, acima mencionados, referem-se às solicitações sobre o não pagamento das pensões de sobrevivência de Agosto e Setembro, ao subsídio de funeral e ao facto de o CNP não ter dado qualquer resposta quer aos meus e-mails, quer aos da CGA.

====================

Mais uma noite em branco, por “falta” de sono. E como se não bastasse, às 05:00 horas da madrugada tinha a minha filha em coma hipoglicémico – uma vez mais -, e sem dar cor dela.

Para não chamar novamente o INEM que da última vez a trataram muito rudemente o que a levou a fazer uma queixa no portal deles, dei-lhe uma injecção de GlucoGen o que arromba ainda mais o meu já depauperado orçamento familiar uma vez que cada injecção destas, sem qualquer tipo de comparticipação, custa quase 20 euros e eu não posso andar a comprar esta injecção todos os dias.

É o excelente serviço nacional de “saúde” que temos, é o Estado miserável que temos, é a merda de regime que temos! Quem não tem dinheiro ou quem está a sofrer o austericídio (que ainda continua) à espera que lhe paguem o que tem a receber de direito por parte do Estado Português, vai morrendo lentamente. O Hitler foi mais rápido a matar judeus.

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29.Abr.2017

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91: 28.Set.2016

(Actualização às 23:30 horas)

Depois dos 5 elementos do INEM terem saído cá de casa, a Vera queixou-se que lhe doía o peito e sentiu que alguém estava aos socos no peito dela, assim como fazia pressão com os dedos na omoplata, levando todo o dia de hoje – que ainda se mantém – com as mesmas dores, nomeadamente quando dá algum geito ao corpo que pressione a zona afectada. Fica aqui uma imagem da ocorrência dado que ela apresentou queixa no Portal do INEM:

27092016

04:45 horas da madrugada, nova chamada para o INEM (estiveram cá anteontem) dado que fui encontrar a minha filha estendida no chão do quarto em coma hipoglicémico (31), a espumar da boca e com convulsões.

Difícil viver com esta carga em cima dos ombros!

Entretanto, nada de respostas das entidades a quem enviei e-mails e apenas faltam DOIS DIAS para o final do mês…

Nada mais tenho a dizer.

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29.Abr.2017

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89: 26.Set.2016

0-lutotransp200Hoje estou de vela (serviço nocturno feito nos hospitais pelos profissionais de saúde). Acabaram de sair de minha casa os técnicos do INEM (02:40) dado que a Vera sendo o quarto dia consecutivo com valores de coma hipoglicémicos (30~35), embora “consciente”, entrou hoje num cenário que nunca tinha deparado dado que parecia estar completamente louca.

É difícil explicar por palavras a situação mas é terrível! Eles queriam levá-la para o hospital mas dado que recuperou, não quis ir e sob conselho do médico a quem telefonaram a relatar o ocorrido (por vezes o médico vem atrás da ambulância, outras vezes não), aconselharam-me a ficar em vigília e se o estado voltasse ao mesmo de antes que os chamasse de novo. Por isso o meu estado de “vela” (a Tina fez tantas no hospital onde trabalhava, das 22:00 às 08:00 horas da manhã… Aliás o horário dela eram duas manhãs (08:00 às 16:00), uma tarde (16:00 às 22:00) e uma vela 22:00 às 08:00 cada e um dia de folga semanais)!

É muito difícil para quem esteve quase dois anos numa guerra, sofre de stress pós-traumático, ter sido duplo cuidador (esposa e filha) nos últimos 5 anos, ter de continuar embora com um paciente a menos, mas com noites muito mal passadas só conseguindo descansar depois das 07:30 da manhã e com os problemas graves que estão acontecendo a nível financeiro, pelo não pagamento não só do subsídio de funeral, como das pensões de sobrevivência de Agosto e Setembro quer pelo Centro Nacional de Pensões, quer pela Caixa Geral de Aposentações que se encontra à espera de uma simples resposta da CNP, então o ramalhete fica completo!

São 03:30 da madrugada, vou passando a noite a colocar a escrita em dia aqui no Blogue, depois vou fazer uma torrada, beber um café até chegar a hora de acordar a Vera para ir para o emprego.

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29.Abr.2017

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78: 16.Set.2016

0-lutotransp200Volto a mencionar o significado da palavra CUIDADOR:

cui·da·dor |ô|
adjectivo e substantivo masculino

1. Que ou aquele que cuida.
2. Diligente; zeloso.

“cuidador”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Logo, a palavra CUIDADOR não se encontra ligada especificamente a uma determinada área mas a todas as áreas de intervenção sejam elas quais forem. Mas vou ainda mais longe, ao estabelecer as diferenças entre um cuidador formal e um cuidador informal (artigo retirado do site http://homecareenfermagem.comunidades.net/definicoes-de-cuidador-formal-e-informal)

DEFINIÇÕES DE CUIDADOR FORMAL E INFORMAL

O Cuidador Formal

Provê cuidados de saúde ou serviços sociais para outros, em função de sua profissão, e usa as habilidades, a competência e a introspecção originadas em treinamentos específicos. O grau de instrução e treinamento para se obter certificados em várias profissões é muito variado. Pessoas que ocupam posições administrativas ou académicas, e que têm sido treinadas na profissão de cuidar de outras pessoas, são também denominadas cuidadores formais, porque suas actividades têm um impacto significativo sobre a saúde dos pacientes. Geralmente, os cuidadores formais recebem compensação financeira pelos seus serviços, mas, algumas vezes não a recebem quando na condição de voluntários de organizações, grupos ou particulares. Os cuidadores formais atendem às necessidades de cuidados de saúde pela provisão efectiva de serviços, competência e aconselhamento, (bem) como apoio social.

O Cuidador Informal (leigo ou familiar)

Provê cuidados e assistência para outros, mas sem remuneração. Geralmente, este serviço é prestado em um contexto de relacionamento já em andamento. É uma expressão de amor e carinho por um membro da família, amigo ou simplesmente por um outro ser humano em necessidade. Cuidadores, no sistema informal, auxiliam a pessoa que é parte ou totalmente dependente de auxílio em seu quotidiano, como: para se vestir, se alimentar, se higienizar, dependa de transporte, administração de medicamento, preparação de alimentos e gerenciamento de finanças.

Características do cuidador informal:

Levantamentos e pesquisas efectuados em vários países permitem reconhecer a importância dos cuidadores. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de dois milhões e duzentos mil membros de famílias e amigos provêm cuidados e tratamentos para mais de um milhão e trezentos mil enfermos ou debilitados. Cerca de dois terços dos cuidadores são mulheres. Aproximadamente, três quartos desses doentes recebem cuidados ou tratamentos por intermédio de membros da família e vivem com as próprias famílias. Embora a actividade empregatícia dos cuidadores tenha provado não reduzir o cuidado dedicado ao paciente, existe um certo impacto na qualidade desse cuidado e/ou tratamento. Esse impacto é relativo ao número de horas disponíveis para esta actividade. Pesquisas indicam que, em média, o cuidador trabalha de 4 a 8 horas/dia. Para muitos, a actividade de prover cuidados estende-se de um até quatro anos, mas com o aumento da expectativa de vida nos Estados Unidos e no Brasil, pode-se esperar um aumento no número de anos dedicados a esta actividade.

Impacto das actividades sobre o Cuidado informal: O envolvimento prolongado na actividade de prover cuidados parece ter um efeito negativo sobre a saúde física e emocional do cuidador, embora, geralmente, ele assuma este papel com grande satisfação e carinho. Diferentemente da experiência do cuidador parente de uma criança, que normalmente resulta na reabilitação, os cuidadores de pessoas debilitadas ou enfermas encaram uma situação stressante, em função da deterioração gradual do doente, sua eventual transferência para um tratamento institucional ou, lamentavelmente, a sua morte. Estudos mostram problemas de sobrecarga do cuidador, altos índices de depressão, sintomas de stresse, uso de psicotrópicos, redução no nível de imunidade e aumento da susceptibilidade a enfermidades. Homens e mulheres parecem ser afectados similarmente, embora as mulheres pareçam desenvolver mais stresse. Estes efeitos negativos parecem persistir em alguns cuidadores, até mesmo após a internação ou a morte do paciente.

Menciona o texto acima que: “Pesquisas indicam que, em média, o cuidador trabalha de 4 a 8 horas/dia“. No meu caso e em outros do meu conhecimento, o cuidador trabalha 24 horas por dia, 7 dias por semana, 30 dias por mês e 365 dias por ano como foi o meu caso específico como cuidador de minha esposa durante mais de 4 anos consecutivos.

Com o falecimento de minha esposa no passado dia 18 de Julho, até essa data, apenas saí à rua duas vezes para a levar à urgência do hospital; no ano passado (2015), saí à rua 4 vezes, duas para ir a consultas no Centro de Saúde, uma para uma consulta de neuro-psiquiatria na Fundação Champalimaud e outra para uma consulta de psiquiatria no hospital de Egas Moniz.

Nos anos anteriores não saí mais que duas a 4 vezes à rua sempre para a acompanhar a consultas e/ou exames, ainda ela estava em condições de mobilidade embora reduzida.

Mas este texto de hoje vem à baila por continuar a ser cuidador de minha filha, como tem sido desde quase há 16 anos. Anteontem, dia 14, tive de chamar o INEM às 04:00 horas da madrugada para assisti-la a um coma hipoglicémico o qual não consegui estabilizar. Nestas condições, os técnicos tiveram, como de outras vezes anteriores, de lhe injectarem glucose na veia.

Hoje, ao acordá-la pelas 05:30 horas da madrugada, como todos os dias de segunda a sexta-feira, acordou com um valor glicémico de 51, muito agressiva e completamente desnorteada, debitando palavras sem nexo e descontextualizadas. Levei 35 minutos até conseguir estabilizar e normalizar a situação.

Por isso, penso que qualquer cuidador, em qualquer área de actuação, sofre uma tremenda pressão psicológica que se vai reflectindo no seu dia a dia, na degradação da sua imunidade física, das suas qualidades de concentração, discernimento, actuação e de muitos outros factores que, em situação normal nunca aconteceriam.

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29.Abr.2017

29.Abr.2017

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75: 14.Set.2016

0-lutotransp200Hoje, sinto-me completamente desfeito! Pelas 04:00 horas da madrugada tive de chamar o INEM dado que não consegui reanimar a minha filha de um coma hipoglicémico (34) nem com a habitual papa de açúcar na bochecha.

Depois de mais de meia-hora e uma injecção intra-venosa de glucose, os técnicos do INEM saíram e um episódio completamente descabido e anormal decorreu.

Quando os técnicos do INEM iam a sair a porta, vi a minha filha atrás deles e pensei que ela tinha de ir ao hospital mas ela disse-me que ia apenas à ambulância para lhe tirarem a agulha que eles tinham aplicado nas costas da mão para lhe injectarem a glucose (!!!???!!!).

Das (muitas) vezes anteriores que este mesmo episódio aconteceu aqui em casa, NUNCA foi necessária esta deslocação dado que o enfermeiro que colocava a agulha, retirava-a depois. E o facto é que a minha filha tinha saído de um coma, completamente encharcada em suor (uma das reacções que costuma ter quando os valores descem a níveis muito baixos) e a noite estava fria! Para apanhar uma pneumonia não era preciso mais!

Ela desceu as escada, atravessou a rua a tremer dado que a ambulância estava estacionada do outro lado, e disse-me depois que tinha assinado um papel e tinha pedido que se despachassem a tirar-lhe a agulha da mão porque estava cheia de frio…

Das outras vezes, costuma aparecer primeiro a ambulância e depois um carro com um(a) médico(a) que verifica a situação, não sei se foi por não ter aparecido o segundo carro que ela teve de assinar o papel mas concordo que no estado em que ela se encontrava, foi COMPLETAMENTE IRRACIONAL, DESPROPOSITADO e INCONCEBÍVEL, a sua saída para a rua para fazer o que atrás mencionei!

Talvez por ter sido a primeira vez que esta situação aconteceu – a chamada do INEM a casa -, depois da morte de minha esposa que me deitou abaixo porque ainda não me encontro refeito do profundo golpe de separação e o meu estado psicológico abanou como um tsunami.

Quem pensa que também ser cuidador de um diabético é pera doce e não requer grandes entregas, está profundamente enganado porque tenho de levantar-me de noite para ver se ela se encontra bem.

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29.Abr.2017

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63: 27.Ago.2016

0-lutotransp200A minha filha não tem estado bem nos últimos 3 dias dado que anteontem e ontem, antes de jantar, apresentava valores glicémicos na ordem dos 30, sendo que ontem estava com convulsões.

Hoje, ao acordar, estava com 25 e completamente encharcada em suor. Esta situação nem sempre é a mesma dado que por vezes tem estes valores e encontra-se seca, mas conseguiu recuperar bem embora penso que tivesse caído de joelhos no chão ao levantar-se dado que ouvi um barulho no quarto dela e quando a fui ver estava agarrada à porta do quarto no estado que atrás referi. Os joelhos estavam esfolados ligeiramente.

valoresdeglicemia
Portal da Diabetes

Influência na Saúde

A manutenção da glicemia em valores fora do padrão normal, tanto para mais quanto para menos, acarreta em uma série de complicações à saúde, além do diabetes. Pesquisa publicada no respeitado periódico Neurology[1] em Setembro de 2012 comprovou que até mesmo valores de glicemia considerados um pouco acima do normal são um grave perigo para a saúde cerebral. De acordo com o estudo, idosos que mantiveram os valores de glicemia bem próximos ao valor considerado normal (110 mg/dL) apresentaram uma perda de 6-10% no volume cerebral ao longo de quatro anos, o que pode acarretar em doenças neurológicas como Alzheimer e demência. O encolhimento cerebral exibido por eles foi consideravelmente maior em comparação a idosos que possuíam valores de glicemia menores.

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61: 24.Ago.2016

0-lutotransp200Apesar de minha esposa ter falecido recentemente e da qual fui cuidador durante mais de quatro longos anos, estendia também essas funções a minha filha, diabética insulina-dependente há cerca de 16 anos.

Muitas foram as noites em que tinha minha esposa na sala a gritar “ó da guarda quem me acode” e no quarto a minha filha em coma hipoglicémico, a colocar-lhe na bochecha a papa de açúcar e esperar que a crise passasse. Mas quando ela era mais grave, tinha de chamar o INEM para lhe injectarem glucose na veia.

Chegava a ter de correr de um lado para o outro a fim de acudir às duas ao mesmo tempo. Minha esposa faleceu há pouco mais de um mês, ainda não consegui desligar-me dessa perda e penso que nunca mais irei desligar-me da dor profunda.

Penso às vezes que estou a ter um pesadelo e que a Tina está internada num hospital, longe de casa e que um dia voltará de novo ao nosso convívio…

Mas a acção de cuidador continua na mesma embora com menos um interveniente. No último ano de vida da Tina, era raro o dia em que minha filha não entrasse em coma a meio da noite. Depois da morte da Mãe essas situações vão-se espaçando mas a vigilância é diária, constante porque não pode relaxar.

Por isso, continuo a apoiar tudo o que se relacione com o Estatuto dos Cuidadores, seres humanos que não possuem qualquer tipo de formação, ajuda psicológica nem um mínimo de interesse por parte das entidades de saúde – e dos governos – deste País.

Petição pela criação do estatuto do/a Cuidador/a Informal da pessoa com doença de Alzheimer e outras demências ou patologias neuro-degenerativas associadas ao envelhecimento

 

http://peticaopublica.com/?pi=PT82396

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43: 21.Jul.2016

0-lutotransp200O descanso e a paz não querem nada comigo. Fui acordar a Vera às 09:30 horas e tive de ser eu a tirar-lhe os valores (51) dado que estava extremamente agressiva.

Pedi-lhe ontem para nos levantarmos hoje cedo para irmos ao hospital S. Francisco Xavier levantar o espólio da mãe mas em primeiro lugar estão outras coisas que já nem menciono.

Realmente a vida já não tem nenhum significado para mim.

De tarde, tratei de finalizar o contrato de construção da lápide para a sepultura da Tina e o modelo escolhido, por ser o mais económico, foi este:

lapide_sepultura
Irá levar a inscrição com a data do nascimento e do falecimento, o nome da Tina e a Eterna Saudade do seu Marido, Filhas e Netas, uma vez que a família da Tina não mostrou qualquer interesse em ajudar na compra da lápide.

Sinto-me muito triste, sozinho, sem a presença da Tina que, mesmo doente, foi a minha companhia durante 52 anos. Eu sei que sou egoísta ao pensar assim e que ela estaria a sofrer mas custa muito a separação nestes termos. Não é justo ela ter sofrido tanto. Nem ter partido deste geito…

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25: 01.Jul.2016

05:00 horas da madrugada, dado o cansaço, falhei a primeira ronda da noite que deveria ter sido por volta das 03:00 horas, mas às 05:00 fui ver a Vera e vi que não estava bem (de novo). Tirei-lhe os valores e estava com 45. Acordei-a com muita dificuldade e consegui dar-lhe uma pastilha de GlucoTabs e a CocaCola. Ao fim de um quarto de hora conseguiu normalizar e deitou-se de novo.

Entretanto, a Tina esteve toda a noite muito agitada, acordada e a falar (não se percebe o que diz) apesar de ter tomado o Serenal como habitualmente. Tive de lhe dar meio comprimido de Quetiapina 100mg e por volta das 05:30 conseguiu acalmar.

Entretanto, tive de chamar a Vera dado que sou o despertador dela uma vez que é a única forma de ela acordar.

Também e devido ao cansaço, deixei-me adormecer e nem ouvi o despertador às 08:50 horas, altura em que me levanto quando vêm cá as enfermeiras para fazer o tratamento à Tina. Acordei eram 09:20 horas meio zaranza mas por sorte elas ainda não tinham batido à porta. Chegaram pelas 09:45 horas… Sorte a minha… Ficam aqui algumas imagens da sessão de hoje.

Entretanto, ficam aqui imagens do estado em que a Tina se encontra e quem quiser que tire as devidas conclusões. Estas imagens foram tiradas ontem à noite quando eu e a Vera estávamos a fazer-lhe a cama.

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Acham que uma pessoa, um SER HUMANO, neste estado de degradação absoluta, deve estar em casa sem o mínimo de cuidados que um hospital pode fornecer? Fica a pergunta.

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