292: 01.Out.2018

Infelizmente, a Vera está novamente em casa dado que o contrato que ela tinha até ao dia 14 de Novembro, foi CANCELADO pela Segurança Social, em virtude de ter existido um concurso e os novos classificados terem de assumir as funções. Ou seja, apesar de um contrato ASSINADO, não se cumprem prazos, nem se HONRAM COMPROMISSOS ASSUMIDOS! Se fosse o DESEMPREGADO  a NÃO CUMPRIR, cairiam logo dezenas de penalizações sobre ele… E assim continua a chafurdice neste País de trafulhas, aldrabões, vígaros, corruptos, ralé da mais baixa estirpe que a raça humana alguma vez produziu.

Mas isto tem a ver com as visitas à nossa querida Tina que, em vez de serem ao sábado, vão passar a ser à segunda-feira. E porquê? Porque a merda dos transportes públicos (CARRIS) ao fim de semana, além de cortar carreiras, alonga horários, fazendo com que estejamos 40, 50 ou mais minutos à espera da carroça. Só que ao dia de semana, em muitas vezes, a trampa é a mesma… E viva o São Medina!!!

Ficam as imagens de hoje, com um lindo ramo de flores deixado na morada da nossa querida.

Cuidador informal – ajuda NEGADA pelo primeiro ministro de Portugal

OE 2019
 
PM afasta hipótese de incluir medidas de protecção ao cuidador informal
 
 
Tinha mesmo de ser assim, não é, Costa? O dinheirinho faz mais falta aos banqueiros, aos salários faraónicos dos gestores, a alimentar pançudos do regime de toda a espécie e aos compadres e amigalhaços!
 
ENGANEM-SE todos aqueles que ainda pensam que este homenzinho é diferente do rapazola PaFioso anterior. Ao negar protecção ao cuidador informal, demonstra bem as raízes de que é feito e nem milhões de palavras que profira sobre a candura da situação, o ilibam do completo ESCROQUE que é. Ele e a pandilha que o apoia!

290: 22.Set.2018

Dia de visita e hoje é (foi) um dia especial para ti e para mim, minha querida. Faz hoje 45 anos que a nossa filha mais nova nasceu e também foi nesta data que ela se casou.

Apesar do calor, as flores da semana passada mantiveram-se fortes e juntámos mais um raminho que a Vera comprou ontem.

Aqui ficam as imagens e até para a semana, querida.

 

289: Viver com Alzheimer: «Ela fisicamente é a mesma pessoa, mas o resto já não é ela»

José Monteiro gostaria de cuidar da sua mulher, Odete, diagnosticada com Alzheimer há dez anos. Já não consegue, mas serve-lhe o jantar todas as noites na tentativa de combater a solidão. A dela e a sua. Num testemunho duro, conta-nos como é lidar com uma das doenças mais devastadoras que existe. O médico neurologista Martinho Pimenta explica como evolui a patologia e quais as formas de prevenir esta forma de demência, enquanto a psicóloga Ana Margarida Cavaleiro fala sobre a difícil tarefa dos cuidadores.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Adelino Meireles/Global Imagens

Odete, 78 anos, está actualmente numa das fases mais avançadas da doença de Alzheimer. Não fala, não come, não se lava, está presa a uma cadeira de rodas e muito raramente sorri. Quem o diz é o marido, José Monteiro, em entrevista à DN Life, agendada para depois do jantar, que não abdica de dar, diariamente, a Odete.

«Vou visitá-la todos os dias [ao lar Casa do Alecrim, em Cascais, onde Odete passa os seus dias desde 2013]. Faz-me uma impressão tremenda a solidão em que ela vive.»

José, prestes a completar 79 anos, queria ainda cuidar da mulher. Percebeu, depois de uma queda de Odete e do stress constante em que vivia, que já não conseguia.

«Ainda tive uma pessoa que ia a nossa casa tomar conta dela, para o fim já eram três, por turnos. E os meus filhos também me ajudavam muito. Só que quando ficava sozinho com a Odete percebi que já não tinha capacidades, comecei a ir-me abaixo. Achei que depois, os meus filhos em vez de cuidarem de um tinham que cuidar de dois. Não queria isso», diz.

«A tua mulher não está bem, José». Foi assim que um casal amigo do oficial da Marinha o alertou para a demência de Odete. Depois desta conversa, consultou um dos seus quatro filhos, neuropediatra, sobre o estado da sua mulher. Este indicou-lhe logo um neurologista.

Até chegar a este ponto, José viu-se obrigado a aceitar a doença e os contornos desta. Frequentou todos os módulos de um curso realizado pela Associação Alzheimer Portugal, comprou vários livros sobre a doença e recorreu à Internet para esclarecer as dúvidas que persistiam.

Mais difícil que entender o que era esta demência, o oficial da marinha sentiu sérias dificuldades em entender os comportamentos, que se alteravam cada vez mais, dia após dia, sem saber a razão.

«Ela tinha uma dedicação doida ao trabalho. Era inspectora do ensino secundário do Ministério da Educação. Nessa altura, usava sempre um dispositivo de apoio informático e começou a erradicar e repudiar completamente aquilo. Depois, já era com os telemóveis. Perdi a conta aos telemóveis que lhe comprei. Não se entendia com nenhum. E com o dinheiro, já não sabia contar o que tinha. Também escrevia lindamente, deixou de o fazer».

Foi a mudança na relação do casal que despertou José para a doença de Odete. «Notei que aquela convivência próxima, saudável e meiga se tinha deteriorado. Mas como não estava bem [nesta altura José lutava contra um cancro] achava que o problema era meu».

Estes foram, segundo José, alguns dos sintomas de Odete, que passou um ano entre exames, ressonâncias magnéticas, ecografias e consultas até lhe ser diagnosticado Alzheimer.

«Ela fisicamente é a mesma pessoa, mas o resto já não é ela», diz agora, conformado com a transformação, depois de ter sentido a sua relação arruinar-se, sem aparente explicação.

«Lembro-me que ela embirrava muito comigo e sabia que nada disto existia anteriormente. Repare, conheço esta mulher desde o dia 13 de Julho de 1957, num baile de Santo António, e nunca tinha sido assim. Ficava muito frustrado».

De acordo com o médico neurologista da CUF, Martinho Pimenta, a «deterioração da memória, que agrava outras funções cognitivas» é, tipicamente, um dos primeiros sinais deste tipo de demência.

«Na sua forma típica, 50 a 60 por cento dos casos inicia-se pelo defeito da memória. Depois, agrava outras funções cognitivas, dificultando muitas vezes o cálculo ou a orientação, por exemplo. Há também a deterioração da linguagem, em que se verifica uma grande complexidade em encontrar nomes para certas coisas», reforça o especialista.

Ana Margarida Cavaleiro, directora do departamento de formação e projectos da Associação Alzheimer Portugal, sublinha a importância da forma como familiares e amigos próximos lidam com estes sintomas.

«É importante sublinhar que as pessoas próximas do doente não devem corrigi-lo, insistir e contrariá-lo sobre algo que sabem que não disse bem. Muitas vezes caem nesse erro, na tentativa de os ajudar».

Ana Cavaleiro partilhou com a DN Life a história de um doente que acompanhava e que não percebeu os primeiros sinais da doença de Alzheimer. «Três anos antes do diagnóstico, tinha atirado um copo de água para cima de um prato, num restaurante, em vez de colocar o sal. Todos nós fazemos disparates, mas neste caso era já um sintoma».

O que aconselha a psicóloga é que se tente perceber porque estão a dizer ou fazer algo daquela forma e normalizar tanto quanto possível a situação. Explica, à DN Life, que a linguagem aplicada a estes doentes é muito importante.

«Pode fazer toda a diferença. Não falo só a nível verbal. Os gestos são essenciais. O gesto de beber água, de questionar se tem fome, se quer dormir ou ir tomar banho são facilmente perceptíveis pelos doentes e tornam a comunicação mais fácil para os cuidadores».

A especialista, que disponibiliza também apoio aos cuidadores na associação, não tem dúvidas de que «ninguém está preparado para a demência» e salienta as dificuldades – muitas vezes esquecidas entre os diagnósticos e tratamentos dos doentes – que passam os cuidadores.

Quando foi operado à bexiga, depois de lhe ter sido diagnosticado cancro, Odete já não se apercebeu do que José estava a viver. «Felizmente correu tudo bem», diz o cuidador.

«É difícil ver a pessoa que sempre conhecemos a fazer disparates, a comportar-se de forma diferente e a esquecer-se de quase tudo. Custa muito», diz Ana Margarida Cavaleiro, lembrando da importância que é «os cuidadores não se sentirem sozinhos».

Foi em busca deste suporte que José Monteiro se juntou ao grupo de apoio na Casa do Alecrim, que decidiu procurar ajuda psicológica e que se tornou activista pelo estatuto de cuidadores informais.

Os amigos, conta, deixaram de o escutar. «Eu preciso de falar e muito amigos acabaram por se fartar de me ouvir. Quando dava por mim já estava a falar da doença do Alzheimer. Não me sai da cabeça».

O que não sai da cabeça de José, vive na cabeça de Odete. O desgaste mental que aponta na entrevista é típico, segundo a psicóloga Ana Margarida Cavaleiro, de quem cuida. «É importante que os cuidadores mantenham algumas das suas actividades e rotinas. Por vezes, ir beber um café durante cinco minutos pode fazer toda a diferença para o resto do dia».

Para José, essa diferença está na hora de jantar. Espera, todos os dias, que a sua mulher lhe volte a sorrir ou a falar. Fá-lo uma ou duas vezes por semana. O sorriso é mais raro, mas, garante José, não desiste de o provocar.

Esta quinta-feira, o dia foi positivo. «Hoje, falou-me. Disse-lhe que ia buscar o jantar para nós (que é só para ela, na verdade, mas digo como se jantássemos os dois) e ela respondeu: «Pois, vai lá».

Life
21/09/2018

… “«Vou visitá-la todos os dias [ao lar Casa do Alecrim, em Cascais, onde Odete passa os seus dias desde 2013]. Faz-me uma impressão tremenda a solidão em que ela vive.»”…

Não é uma crítica, mas este senhor José Monteiro não sabe o que é realmente cuidar de um doente com Alzheimer, VINTE E QUATRO HORAS por dia, perder noites seguidas, sem qualquer tipo de ajuda porque as que existiam quando minha esposa era ainda viva, eram todas à força de dinheiro e o orçamento não dava para isso, por isso ele é. no meio da tristeza dessa doença, um homem com sorte por ter capacidade financeira para colocar a esposa num Lar. Se lhe faz uma tremenda impressão a solidão onde ela vive, talvez seja por não ter familiares por perto que falem com ela, que a acariciem, que a ajudam na hora da refeição, na hora da higiene – que são várias vezes ao dia, tal qual como um bebé a quem se tem de mudar a fralda -, na hora do banho… São VINTE E QUATRO HORAS POR DIA, senhor José Monteiro! Não é apenas na hora do jantar! A única ajuda que tinha foi a de minha filha, quando vinha do trabalho,  e que vive connosco desde que nasceu (há 52 anos), diabética, insulina-dependente há 19 anos e cheguei a noites em que às 04 horas da madrugada, tinha a minha esposa na sala a gritar ó da guarda está aqui um homem que me quer matar e a minha filha no quarto dela em coma hipoglicémico e à espera do 112 para lhe ministrarem injecção intra-venosa de glucose! Nos seis anos em que cuidei de minha esposa, as minhas saídas à rua nunca foram superiores a 4 vezes por ano e nessas vezes era para levá-la ao hospital ou ao Centro de Saúde. Cada caso é um caso, há pessoas quem têm capacidades financeiras para superar certo tipo de situações, outras que têm familiares que ajudam no que podem, eu não tive NINGUÉM a não ser esta filha! Foram CINQUENTA E DOIS ANOS de casamento que deu duas filhas e duas netas. E eu também tinha – e continuo a ter -, problemas de saúde. Sou um ex-combatente da guerra do Ultramar, com stress pós-traumático de guerra, que me trouxe alguns desequilíbrios psicológicos, ganhei uma úlcera gastro-duodenal, hipertensão e cheguei a pensar que não aguentaria muito mais tempo. Graças ao treino militar que tive, aos cenários de guerra que vivi, a alguns anos de artes marciais, Meditação Zen e exercícios de Yoga, consegui ultrapassar as fases mais negras e ainda mexo para continuar a cuidar de minha filha.

287: 15.Set.2018

Dia de visita à nossa querida Tina, com um novo raminho de flores muito bonitas. As da semana passada já estavam murchas devido ao calor que tem feito sentir-se, mas a Vera, como sempre, mudou a água, arranjou o novo ramo e ficou muito bonito. Flores que tu sempre gostaste em toda a tua existência. Para a semana lá estaremos de novo, querida.

286: 08.Set.2018

Hoje, mesmo com uma chuvinha chata, fomos à visita semanal à campa da nossa querida. As flores que a Vera tinha colocado a semana passada (eu não fui porque não me sentia em condições), estavam bem murchas e caso curioso, ROUBARAM uma flores que tínhamos no copo da campa! Será possível que até num cemitério existe escumalha que nem as campas e os mortos respeitam? A que estado chegámos! Mas aqui ficam as imagens da visita de hoje. Dor profunda, Saudade Eterna minha querida.

As duas imagens acima foram tiradas ontem, quando a Vera as trouxe e depois de borrifadas com água. As imagens a seguir, são da nossa visita de hoje:

285: 01.Set.2018

Hoje, não fiz a visita semanal à campa da Tina por não me sentir em condições para isso, mas a Vera não faltou e foi sozinha. Ontem, tinha tirado umas fotos ao raminho que a Vera comprou:

Depois da habitual tarefa de retirar as flores secas, mudar a água do copo, colocar o raminho que hoje levou, as imagens são da Vera:

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Sozinho…

SOZINHO

APRENDA A FICAR SOZINHO

Publicado por Rosa Xoki em Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2018

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283: 25.Ago.2018

 

Em antecipação, fica aqui a imagem do raminho de flores lindas que a Vera hoje comprou para amanhã, sábado, levarmos à visita da nossa querida Tina.

24/08/2018

E aqui estamos, depois da visita à tua campa, mudar a água, ou antes, encher o copo de água pois já estava seco, tirar as flores secas, colocar as novas, arranjar o ramo e missão semanal terminada. Mas continuas nos nossos corações e nos nossos pensamentos. Para sempre, querida!