153: 28.Dez.2016

Chegou a altura de promover uma limpeza de fim-de-ano nos meus sites, blogues, Facebook e outros registos espalhados pela Rede. Não só porque a disposição vai escasseando para a manutenção diária de tanta informação, como também para “limpar” certo tipo de lixo biológico que por esses sítios vegetam.

No Facebook apenas ficarei com o registo d ‘A Cozinha do Avô Chico embora nesse registo tenha criado páginas que antes ocupavam outras áreas de informação em registos separados.

Mas como músico e cantor, vivendo a música com um raro dom que me foi oferecido à nascença, não podia deixar desaparecer um registo que me fez chorar quando o vi e ouvi. De uma beleza rara sem igual, de uma sonoridade celestial que apenas quem dedica à música muito da sua vida, do seu amor e daquele dom especial de saber captá-la, aqui fica um vídeo que me emocionou  até às lágrimas e que partilho com todos os visitantes deste Blogue:

BRAVO!!!

André Rieu & Gheorghe Zamfir – Tribute to James Last
(Maastricht 2015)

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49: 29.Jul.2016

0-lutotransp200Hoje, deu-me para o sentimento, aliás, o sentimento não me tem largado desde o passado dia 17!

Alguns dirão: mas então o tipo anda a chorar a morte da esposa e anda a cantar todo satisfeito? Eu respondo:

Existiram ao longo dos meus 70 anos e 4 meses de vida, dois momentos extremamente dramáticos e que mesmo vivesse 200 anos, nunca os esqueceria: foram eles a morte do meu querido Pai, aos 16 anos de idade, e a morte de minha esposa Tina no passado dia 17 de Julho.

Embora a minha profissão não fosse a de músico, era este um hobby que tinha desde os 10 anos de idade (1956), altura em que comecei a pisar os palcos das Colectividades de Recreio lisboetas, no tempo em que nem Beatles, nem Shadows – com Cliff Richards – existiam como grupos de música pop.

No dia em que fui enterrar o meu Pai, segui directamente do mesmo cemitério onde a Tina foi a enterrar, para actuar num Baile de uma Colectividade em Linda-a-Velha. Não estava nas melhores condições psicológicas mas os meus camaradas de Conjunto ajudaram-me e deram-me a força necessária para fazer as quatro horas de actuação, como vocalista, tempo que durava uma “matinée” na época.

Escusado será dizer que a morte de meu Pai foi tão sentida, que ainda sinto-a como tivesse acontecido hoje. E os dois momentos dramáticos que acima referenciei, foram precisamente o ruído da terra a cair sobre os caixões. Quando isso aconteceu no momento da Tina descer à Terra, os sons chocaram-se no meu cérebro e a dor foi tremendamente aterradora.

Por isso e apesar de não ter alegria nem disposição para nada, não queria deixar de manifestar uma singela homenagem quer a meu Pai – que adorava a Tina -, quer à Tina, pelo texto que a seguir vou transcrever e que também deixei na minha página do Facebook.

Vou resumir a inserção neste espaço do vídeo que editei há pouco. Durante 50 anos (comecei em 1956) fui vocalista de vários grupos de baile. Foi na noite de Santo António (12 de Junho de 1964, num baile de Arraial dos Santos Populares, no Mercado de Algés) que unimos os nossos destinos durante 52 anos. Foi a cantar que a Tina se apaixonou por mim e eu retribui da mesma forma porque existiu química e, quando isso acontece, não existe nada, mas mesmo nada, que separe dois seres.

Nunca mais nos separámos até ao passado dia 17 de Julho em que ela definitivamente me deixou, sem um queixume, mas no maior sofrimento. Espero que agora se encontre em Paz, embora a dor teime em não sair de mim por esta separação.

Este vídeo contém uma canção de nome Amor que fazia parte do meu repertório musical e está cantada por mim, numa gravação ao vivo através de um gravador de cassetes nada profissional, daí a fraca qualidade de som. Apenas inseri o playback de imagem e escolhi esta canção porque era uma das preferidas da Tina e diz muito sobre o nosso amor.

Meu Amor, onde quer que estejas, dedico-te a tua canção preferida, como o fazia nos bailes onde sempre me acompanhaste.

A gravação original foi feita ao vivo numa Colectividade de Recreio onde actuámos e o Quarteto para Baile chamava-se Millennium2000, com o Zé Vasconcelos nos sintetizadores, o Rui nas guitarras eléctricas, o Pedro no baixo/vozes e eu na voz e na bateria.

Um beijo minha querida.

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