Cuidadores informais: “Em que é que me vão formar depois de 23 anos a cuidar das minhas filhas?”

Iniciativas legislativas do governo e dos diferentes partidos são discutidas hoje no parlamento. Cuidadores não querem projectos-piloto e torcem o nariz a formações. Querem apoios concretos e imediatos para quem se dedica aos seus

© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Helena Lagartinho vai respondendo às perguntas em andamento. Está na faculdade, onde foi buscar uma das duas filhas gémeas. Ambas são estudantes universitárias. “A Rita está a tirar Artes e Humanidades e a Inês está a tirar Estudos Portugueses”. Ambas têm paralisia cerebral. Mas nunca deixou que essa condição as impedisse de sonhar alto. “Se as tivesse institucionalizado, acha que estavam na faculdade? Que tinham feito estes cursos”? Não espera pela resposta. “A Rita é atleta paraplégica de grau 1, de equitação adaptada. Já é internacional. A Inês publicou um livro. Tudo isto porque estão a ser criadas por mim”.

Desde que as filhas nasceram, há 23 anos, Helena pôs de lado a profissão de contabilista e passou a dedicar-se a elas a tempo inteiro. É cuidadora informal. Uma actividade que, segundo as associações, ocupa integralmente ou a tempo parcial cerca de 800 mil portugueses – o governo aponta para 230 mil, fazendo as contas com base nas pessoas que recebem complementos por dependência. Mas para a qual não existe qualquer enquadramento específico.

Esta sexta-feira, no Parlamento, na sequência de uma petição lançada há quase dois anos, serão discutidas propostas do governo e dos diferentes partidos no sentido de reconhecer esta actividade e lhe conceder alguns direitos. Quase todas contemplam a introdução de algum tipo de subsídio – pelo menos para os cuidadores a tempo inteiro – e reconhecem o direito ao descanso e à protecção no trabalho dos cuidadores, bem como o acesso em condições privilegiadas a serviços de saúde.

Mas todas ficam aquém das expectativas destes cuidadores. A começar pela proposta do governo, anunciada pelos ministérios da Saúde e da Segurança Social, que prevê a realização de projectos-piloto em cerca de 15% do território nacional e acções de formação dos cuidadores antes que as novas medidas sejam generalizadas, o que deverá atirar a sua aplicação concreta para 2020 ou 2021.

“Quando ouvimos o governo falar na capacitação e na formação dos cuidadores, pergunto em que é que me vão formar ou capacitar depois de 23 anos“, questiona Helena, que tem outras três filhas, já adultas, todas criadas unicamente com o salário do marido. “O cuidador informal é abandonado e marginalizado e ainda nos olham como se quiséssemos viver à conta das pessoas de que cuidamos”, lamenta. “Acompanhei as minhas filhas todo este tempo, não tenho carreira contributiva. O que é que vão fazer aos cuidadores que deixaram tudo, como é o meu caso”?

Das propostas dos partidos em cima da mesa, as que mais agradam a esta mãe são as “do Bloco de Esquerda e do CDS”, nomeadamente por contemplarem apoios concretos para os cuidadores a tempo inteiro, entre os 300 e os 380 euros. “Uma família de acolhimento que receba em casa uma pessoa normal recebe 380 euros do Estado. Se acolher uma pessoa deficiente, dão-lhe 600 euros. Eu sou cuidadora das minhas filhas e o Estado não me dá nada”, diz, estimando que terá poupado ao Estado “talvez meio milhão de euros” por ter decidido criar as filhas em vez de as entregar a uma instituição, à qual a Segurança Social pagaria “1040 euros por mês por cada uma”.

Reformada “compulsivamente”…por cuidar da irmã e dos sobrinhos

” É verdade que é a primeira que vemos um projecto do governo sobre esta matéria”, reconhece Maria dos Anjos Catapirra. “Mas está muito aquém das nossas expectativas. Não são os projectos-piloto que nos vão ajudar a mudar o quer que seja. Do que precisamos é de legislação aprovada e aplicada”, diz, apontando também a preferência para o projecto de outro partido. neste caso do CDS: “Além daquilo que acreditamos que seja viável, que é o descanso para o cuidador e o subsídio, defendem medidas laborais, inclusivamente, que nem estão contempladas no projecto do governo. E também apoios e benefícios fiscais”.

Helena aponta também a importância de proteger os cuidadores a tempo parcial ou temporários no emprego. “Se tivesse a possibilidade de conciliar o cuidado dos meus filhos com um período de trabalho, por exemplo da parte da manhã, mas sem perda de remuneração, seguramente que o que faria”, diz.

Maria dos Anjos era profissional de seguros quando começou a tratar da irmã, mãe solteira, que desenvolveu Alzheimer precoce. Acompanhou a irmã até à morte desta e tomou conta dos sobrinhos até estes se tornarem adultos e ganharem a sua independência. No processo, perdeu o emprego. “Acabei por ter uma reforma compulsiva pelas ausências, por tudo aquilo de que precisava e não compreendiam que precisava.

Foi uma das subscritoras da primeira petição a dar entrada no parlamento, para tentar mudar as coisas.

A proposta do PSD, que prevê um estatuto do cuidador informal, centra atenções nas pessoas que tratam de familiares idosos. Mas para Maria dos Anjos esse é um dos erros comuns: acreditar-se que estes são os únicos a precisar de cuidados permanentes.”Hoje em dia tomo conta da minha mãe, que é invisual e tem 87 anos. Mas nem mais ou menos é semelhante situação pela qual passei”, garante. “Tratar de uma pessoa com demência é completamente diferente. Por isso é que hoje em dia nem me considero uma cuidadora. Sou filha dela e tomo conta dela. As pessoas com demência perdem toda a remuneração que tinham – a minha irmã, porque era jovem, nem reforma tinha. Tinha filhos menores, era mãe solteira, e não tinha qualquer apoio estatal”.

Hoje, já não pede medidas a pensar em si mas, sobretudo, “nas imensas pessoas em situação de pobreza que não têm condições para aguardar por projectos-piloto”. Mas confessa estar pouco optimista. “Acredito que vai baixar tudo à comissão e vamos adiar esta história toda por mais algum tempo. É o que andamos a fazer há dois anos: adiar”.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
08 Março 2019 — 08:20

320: Cuidadores informais reclamam junto ao parlamento estatuto próprio

O parlamento debate esta sexta-feira medidas do Governo e projectos do PSD, CDS e PAN para apoiar os cuidadores informais, cuja associação se manifesta em frente à Assembleia para defender um estatuto próprio.

Manifestação dos cuidadores informais frente ao Parlamento
© RODRIGO ANTUNES/LUSA

A presidente da Associação Nacional dos Cuidadores Informais, Sofia Figueiredo, disse à agência Lusa que “fica aquém” do que reclamam os cuidadores o que a proposta de lei do Governo traz, que são apenas “medidas de apoio” e não um estatuto que cubra “tudo da área laboral, social e saúde”.

“O Governo apresenta medidas, mas precisamos de um estatuto”, afirmou Sofia Figueiredo, criticando o executivo por não ir ao ponto de criar um estatuto, mas também o projecto de lei do PSD, que dá um prazo de 90 dias para a regulamentação das medidas nele preconizadas.

Além da proposta de lei do Governo, serão discutidos esta sexta-feira projectos de lei do PSD, CDS-PP e PAN, todos centrados na ideia de criação de um estatuto, benefícios sociais e fiscais por essa ocupação, regimes laborais especiais e direito a descanso com recurso a unidades de cuidados continuados para a pessoa dependente.

No caso da proposta do Governo, dá-se um prazo de “120 dias” para “identificação das medidas legislativas, administrativas ou outras que se revelem necessárias ao reforço da protecção laboral dos cuidados informais não principais, designadamente à adequação de normas já existentes relativas ao regime laboral que lhes é aplicável”, o que para Sofia Figueiredo significa “deixar tudo para a próxima legislatura”.

O Governo prevê ainda a atribuição de um subsídio de apoio a atribuir pelo “subsistema de solidariedade mediante condição de recursos”, mas Sofia Figueiredo apontou que para esse cálculo são contados “os rendimentos do agregado familiar e não as despesas”.

A associação critica ainda a lógica de a proposta do executivo funcionar através de “projectos-piloto”, que deixam de fora parte do universo dos cuidadores.

Os cuidadores informais queriam que fosse criada uma carreira contributiva para os cuidadores, que prestam assistência a familiares, crianças ou idosos, que precisam de cuidados permanentes, o que os leva a terem de deixar empregos e dedicar quase todo o seu tempo e recursos.

Por não descontarem para a segurança social, os anos passados como cuidadores informais não contam para a reforma, pelo que a associação reclama a criação de “uma carreira contributiva”.

A proposta do Governo, de o cuidador poder aceder ao Regime de Seguro Social Voluntário, em que faz as suas próprias contribuições, não resulta no caso dos “que têm carência económica e que se desempregaram”, porque têm que escolher entre “ter dinheiro para comer ou pagar a contribuição”.

Na convocatória para a manifestação, a associação pede que quem aderir leve balões rosa e azul para representar as crianças de que cuida ou balões roxos, no caso de adultos.

“Nós queremos apelar à criação de um estatuto, que não é uma questão partidária, defendemos que se unam esforços para fazer um estatuto que vá ao encontro das nossas necessidades”, afirmou.

“Já esperámos tempo demais, é tempo de legislar e não de adiar”, reforçou.

Diário de Notícias
Lusa
08 Março 2019 — 11:35

317: 25.Fev.2019

Dia de visita, mas hoje não tivemos hipótese de te comprar umas florzinhas, querida. Problemas financeiros devido ao ROUBO que o xuxa pseudo-“socialista” do actual governo, carrasco dos pobres e benemérito dos ricos, infligiu no pagamento do IRS de 2017 – já não te encontravas entre nós -, no DOBRO de quando eras viva e tínhamos as nossas pensões de reforma por inteiro, resolveu castigar-me por ter ficado viúvo…

O que desejo a toda essa escumalha política é que tenham o castigo mais severo que merecem, embora a “justiça” neste país seja direccionada apenas em favor dos ricos.

O inferno deste pagamento de 150 euros mensais desde Setembro do ano passado, só vai acabar no final de Março (7 prestações). Feitas as contas, o ano passado não tive nem subsídio de férias nem de natal.

A saúde também não tem andado boa – e teria de estar com todas estas merdas? -, quebras de tensão com perda de consciência, o que vale é que tenho recuperado bem e a Vera com os valores glicémicos a descer e a subir…

Mas a Vera tirou do raminho da semana passada umas 3 flores que estavam mais murchas, mudou a água do copo e ficaste com um raminho jeitoso.

 

Dia do Cuidador – 05.Nov.2018

Marcelo renova apelo para criação do estatuto do cuidador informal

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apelou esta segunda-feira para que se vençam “preconceitos e obstáculos institucionais” à criação do Estatuto do Cuidador Informal, uma causa que “merece o esforço de todos”.

Numa mensagem publicada no site da Presidência da República a propósito do Dia do Cuidador, que se assinala hoje, Marcelo Rebelo de Sousa sustentou que a criação de um estatuto próprio “é uma causa que é nacional”, que “reúne o apoio de todos os partidos” e frisou que a continuará a defender “até que seja uma realidade”.

“Assinalo, pois, este dia, renovando o apoio a esta causa e o apelo para que se faça mais, vencendo preconceitos e obstáculos institucionais à criação do Estatuto do Cuidador Informal. É uma causa que sei ser de todos. É uma causa que merece o esforço de todos”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe do Estado defendeu que o país “não pode continuar à espera, sob pena de estar a perpetuar um erro imperdoável, confundindo prioridades, atropelando a defesa da dignidade humana”.

Em Portugal, assinalou, a grande maioria dos cuidados prestados a pessoas dependentes, sejam idosos, pessoas com deficiência, demências ou doenças crónicas “é prestado por cuidadores informais e não através das redes formais”.

Não podemos continuar a fingir que não existem milhares de compatriotas que são pais, filhos, netos, sobrinhos, primos, vizinhos, amigos, cuidadores de tantos e tantos outros portugueses”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa observou que há “milhares de cuidadores informais e cada vez haverá mais”, defendendo que “não podem continuar invisíveis” ou ignorados, “sem vencimentos, folgas, férias, reformas e direitos sociais”.

No passado dia 9 de Setembro, no encerramento do I Encontro regional de cuidadores informais, em Vila Nova da Cerveira, o Presidente da República já tinha afirmado acreditar que até ao final da legislatura será votado no parlamento a criação do Estatuto do Cuidador Informal, considerando que se isso não se verificar será “um erro imperdoável”.

Em Março passado, diplomas do BE, PCP, CDS-PP e PAN para reforçar medidas de apoio ao cuidador informal e às pessoas em situação de dependência baixaram, sem votação, à comissão de Trabalho e Segurança Social.

A criação de um estatuto próprio tem sido reclamada por grupos de cidadãos que prestam aquele tipo de cuidados e, em Junho passado, foi criada a Associação Nacional de Cuidadores Informais.

ZAP // Lusa

Por Lusa
5 Novembro, 2018

Nota: Os políticos querem lá saber do Cuidador Informal, dos seus problemas e de quem  têm de cuidar! O que lhes interessa são as suas mordomias e dar dinheiro aos Bancos falidos, aos compadres e amigalhaços.

 

292: 01.Out.2018

Infelizmente, a Vera está novamente em casa dado que o contrato que ela tinha até ao dia 14 de Novembro, foi CANCELADO pela Segurança Social, em virtude de ter existido um concurso e os novos classificados terem de assumir as funções. Ou seja, apesar de um contrato ASSINADO, não se cumprem prazos, nem se HONRAM COMPROMISSOS ASSUMIDOS! Se fosse o DESEMPREGADO  a NÃO CUMPRIR, cairiam logo dezenas de penalizações sobre ele… E assim continua a chafurdice neste País de trafulhas, aldrabões, vígaros, corruptos, ralé da mais baixa estirpe que a raça humana alguma vez produziu.

Mas isto tem a ver com as visitas à nossa querida Tina que, em vez de serem ao sábado, vão passar a ser à segunda-feira. E porquê? Porque a merda dos transportes públicos (CARRIS) ao fim de semana, além de cortar carreiras, alonga horários, fazendo com que estejamos 40, 50 ou mais minutos à espera da carroça. Só que ao dia de semana, em muitas vezes, a trampa é a mesma… E viva o São Medina!!!

Ficam as imagens de hoje, com um lindo ramo de flores deixado na morada da nossa querida.

Cuidador informal – ajuda NEGADA pelo primeiro ministro de Portugal

OE 2019
 
PM afasta hipótese de incluir medidas de protecção ao cuidador informal
 
 
Tinha mesmo de ser assim, não é, Costa? O dinheirinho faz mais falta aos banqueiros, aos salários faraónicos dos gestores, a alimentar pançudos do regime de toda a espécie e aos compadres e amigalhaços!
 
ENGANEM-SE todos aqueles que ainda pensam que este homenzinho é diferente do rapazola PaFioso anterior. Ao negar protecção ao cuidador informal, demonstra bem as raízes de que é feito e nem milhões de palavras que profira sobre a candura da situação, o ilibam do completo ESCROQUE que é. Ele e a pandilha que o apoia!

290: 22.Set.2018

Dia de visita e hoje é (foi) um dia especial para ti e para mim, minha querida. Faz hoje 45 anos que a nossa filha mais nova nasceu e também foi nesta data que ela se casou.

Apesar do calor, as flores da semana passada mantiveram-se fortes e juntámos mais um raminho que a Vera comprou ontem.

Aqui ficam as imagens e até para a semana, querida.

 

289: Viver com Alzheimer: «Ela fisicamente é a mesma pessoa, mas o resto já não é ela»

José Monteiro gostaria de cuidar da sua mulher, Odete, diagnosticada com Alzheimer há dez anos. Já não consegue, mas serve-lhe o jantar todas as noites na tentativa de combater a solidão. A dela e a sua. Num testemunho duro, conta-nos como é lidar com uma das doenças mais devastadoras que existe. O médico neurologista Martinho Pimenta explica como evolui a patologia e quais as formas de prevenir esta forma de demência, enquanto a psicóloga Ana Margarida Cavaleiro fala sobre a difícil tarefa dos cuidadores.

Texto de Alexandra Pedro | Fotografia Adelino Meireles/Global Imagens

Odete, 78 anos, está actualmente numa das fases mais avançadas da doença de Alzheimer. Não fala, não come, não se lava, está presa a uma cadeira de rodas e muito raramente sorri. Quem o diz é o marido, José Monteiro, em entrevista à DN Life, agendada para depois do jantar, que não abdica de dar, diariamente, a Odete.

«Vou visitá-la todos os dias [ao lar Casa do Alecrim, em Cascais, onde Odete passa os seus dias desde 2013]. Faz-me uma impressão tremenda a solidão em que ela vive.»

José, prestes a completar 79 anos, queria ainda cuidar da mulher. Percebeu, depois de uma queda de Odete e do stress constante em que vivia, que já não conseguia.

«Ainda tive uma pessoa que ia a nossa casa tomar conta dela, para o fim já eram três, por turnos. E os meus filhos também me ajudavam muito. Só que quando ficava sozinho com a Odete percebi que já não tinha capacidades, comecei a ir-me abaixo. Achei que depois, os meus filhos em vez de cuidarem de um tinham que cuidar de dois. Não queria isso», diz.

«A tua mulher não está bem, José». Foi assim que um casal amigo do oficial da Marinha o alertou para a demência de Odete. Depois desta conversa, consultou um dos seus quatro filhos, neuropediatra, sobre o estado da sua mulher. Este indicou-lhe logo um neurologista.

Até chegar a este ponto, José viu-se obrigado a aceitar a doença e os contornos desta. Frequentou todos os módulos de um curso realizado pela Associação Alzheimer Portugal, comprou vários livros sobre a doença e recorreu à Internet para esclarecer as dúvidas que persistiam.

Mais difícil que entender o que era esta demência, o oficial da marinha sentiu sérias dificuldades em entender os comportamentos, que se alteravam cada vez mais, dia após dia, sem saber a razão.

«Ela tinha uma dedicação doida ao trabalho. Era inspectora do ensino secundário do Ministério da Educação. Nessa altura, usava sempre um dispositivo de apoio informático e começou a erradicar e repudiar completamente aquilo. Depois, já era com os telemóveis. Perdi a conta aos telemóveis que lhe comprei. Não se entendia com nenhum. E com o dinheiro, já não sabia contar o que tinha. Também escrevia lindamente, deixou de o fazer».

Foi a mudança na relação do casal que despertou José para a doença de Odete. «Notei que aquela convivência próxima, saudável e meiga se tinha deteriorado. Mas como não estava bem [nesta altura José lutava contra um cancro] achava que o problema era meu».

Estes foram, segundo José, alguns dos sintomas de Odete, que passou um ano entre exames, ressonâncias magnéticas, ecografias e consultas até lhe ser diagnosticado Alzheimer.

«Ela fisicamente é a mesma pessoa, mas o resto já não é ela», diz agora, conformado com a transformação, depois de ter sentido a sua relação arruinar-se, sem aparente explicação.

«Lembro-me que ela embirrava muito comigo e sabia que nada disto existia anteriormente. Repare, conheço esta mulher desde o dia 13 de Julho de 1957, num baile de Santo António, e nunca tinha sido assim. Ficava muito frustrado».

De acordo com o médico neurologista da CUF, Martinho Pimenta, a «deterioração da memória, que agrava outras funções cognitivas» é, tipicamente, um dos primeiros sinais deste tipo de demência.

«Na sua forma típica, 50 a 60 por cento dos casos inicia-se pelo defeito da memória. Depois, agrava outras funções cognitivas, dificultando muitas vezes o cálculo ou a orientação, por exemplo. Há também a deterioração da linguagem, em que se verifica uma grande complexidade em encontrar nomes para certas coisas», reforça o especialista.

Ana Margarida Cavaleiro, directora do departamento de formação e projectos da Associação Alzheimer Portugal, sublinha a importância da forma como familiares e amigos próximos lidam com estes sintomas.

«É importante sublinhar que as pessoas próximas do doente não devem corrigi-lo, insistir e contrariá-lo sobre algo que sabem que não disse bem. Muitas vezes caem nesse erro, na tentativa de os ajudar».

Ana Cavaleiro partilhou com a DN Life a história de um doente que acompanhava e que não percebeu os primeiros sinais da doença de Alzheimer. «Três anos antes do diagnóstico, tinha atirado um copo de água para cima de um prato, num restaurante, em vez de colocar o sal. Todos nós fazemos disparates, mas neste caso era já um sintoma».

O que aconselha a psicóloga é que se tente perceber porque estão a dizer ou fazer algo daquela forma e normalizar tanto quanto possível a situação. Explica, à DN Life, que a linguagem aplicada a estes doentes é muito importante.

«Pode fazer toda a diferença. Não falo só a nível verbal. Os gestos são essenciais. O gesto de beber água, de questionar se tem fome, se quer dormir ou ir tomar banho são facilmente perceptíveis pelos doentes e tornam a comunicação mais fácil para os cuidadores».

A especialista, que disponibiliza também apoio aos cuidadores na associação, não tem dúvidas de que «ninguém está preparado para a demência» e salienta as dificuldades – muitas vezes esquecidas entre os diagnósticos e tratamentos dos doentes – que passam os cuidadores.

Quando foi operado à bexiga, depois de lhe ter sido diagnosticado cancro, Odete já não se apercebeu do que José estava a viver. «Felizmente correu tudo bem», diz o cuidador.

«É difícil ver a pessoa que sempre conhecemos a fazer disparates, a comportar-se de forma diferente e a esquecer-se de quase tudo. Custa muito», diz Ana Margarida Cavaleiro, lembrando da importância que é «os cuidadores não se sentirem sozinhos».

Foi em busca deste suporte que José Monteiro se juntou ao grupo de apoio na Casa do Alecrim, que decidiu procurar ajuda psicológica e que se tornou activista pelo estatuto de cuidadores informais.

Os amigos, conta, deixaram de o escutar. «Eu preciso de falar e muito amigos acabaram por se fartar de me ouvir. Quando dava por mim já estava a falar da doença do Alzheimer. Não me sai da cabeça».

O que não sai da cabeça de José, vive na cabeça de Odete. O desgaste mental que aponta na entrevista é típico, segundo a psicóloga Ana Margarida Cavaleiro, de quem cuida. «É importante que os cuidadores mantenham algumas das suas actividades e rotinas. Por vezes, ir beber um café durante cinco minutos pode fazer toda a diferença para o resto do dia».

Para José, essa diferença está na hora de jantar. Espera, todos os dias, que a sua mulher lhe volte a sorrir ou a falar. Fá-lo uma ou duas vezes por semana. O sorriso é mais raro, mas, garante José, não desiste de o provocar.

Esta quinta-feira, o dia foi positivo. «Hoje, falou-me. Disse-lhe que ia buscar o jantar para nós (que é só para ela, na verdade, mas digo como se jantássemos os dois) e ela respondeu: «Pois, vai lá».

Life
21/09/2018

… “«Vou visitá-la todos os dias [ao lar Casa do Alecrim, em Cascais, onde Odete passa os seus dias desde 2013]. Faz-me uma impressão tremenda a solidão em que ela vive.»”…

Não é uma crítica, mas este senhor José Monteiro não sabe o que é realmente cuidar de um doente com Alzheimer, VINTE E QUATRO HORAS por dia, perder noites seguidas, sem qualquer tipo de ajuda porque as que existiam quando minha esposa era ainda viva, eram todas à força de dinheiro e o orçamento não dava para isso, por isso ele é. no meio da tristeza dessa doença, um homem com sorte por ter capacidade financeira para colocar a esposa num Lar. Se lhe faz uma tremenda impressão a solidão onde ela vive, talvez seja por não ter familiares por perto que falem com ela, que a acariciem, que a ajudam na hora da refeição, na hora da higiene – que são várias vezes ao dia, tal qual como um bebé a quem se tem de mudar a fralda -, na hora do banho… São VINTE E QUATRO HORAS POR DIA, senhor José Monteiro! Não é apenas na hora do jantar! A única ajuda que tinha foi a de minha filha, quando vinha do trabalho,  e que vive connosco desde que nasceu (há 52 anos), diabética, insulina-dependente há 19 anos e cheguei a noites em que às 04 horas da madrugada, tinha a minha esposa na sala a gritar ó da guarda está aqui um homem que me quer matar e a minha filha no quarto dela em coma hipoglicémico e à espera do 112 para lhe ministrarem injecção intra-venosa de glucose! Nos seis anos em que cuidei de minha esposa, as minhas saídas à rua nunca foram superiores a 4 vezes por ano e nessas vezes era para levá-la ao hospital ou ao Centro de Saúde. Cada caso é um caso, há pessoas quem têm capacidades financeiras para superar certo tipo de situações, outras que têm familiares que ajudam no que podem, eu não tive NINGUÉM a não ser esta filha! Foram CINQUENTA E DOIS ANOS de casamento que deu duas filhas e duas netas. E eu também tinha – e continuo a ter -, problemas de saúde. Sou um ex-combatente da guerra do Ultramar, com stress pós-traumático de guerra, que me trouxe alguns desequilíbrios psicológicos, ganhei uma úlcera gastro-duodenal, hipertensão e cheguei a pensar que não aguentaria muito mais tempo. Graças ao treino militar que tive, aos cenários de guerra que vivi, a alguns anos de artes marciais, Meditação Zen e exercícios de Yoga, consegui ultrapassar as fases mais negras e ainda mexo para continuar a cuidar de minha filha.

Sozinho…

SOZINHO

APRENDA A FICAR SOZINHO

Publicado por Rosa Xoki em Sexta-feira, 26 de Janeiro de 2018

[powr-hit-counter id=9fe80f29_1535550088625]

278: Cientistas descobrem o “Big Bang” do Alzheimer

Um grupo de cientistas da Universidade do Texas descobriu o “Big Bang” da doença de Alzheimer – o ponto exacto em que uma proteína saudável se torna tóxica, mas ainda não formou emaranhados mortais no cérebro. Podendo assim evitar o processo neuro degenerativo que leva à demência.

De acordo com os investigadores, esta descoberta é como encontrar o “Big Bang” da doença de Alzheimer e esperam que a pesquisa possa encontrar novos tratamentos e formas de diagnosticar a doença mais cedo, antes que apareçam os primeiros sintomas.

“Esta é, talvez, a maior descoberta que fizemos até agora”, disse Marc Diamond, um dos autores principais deste novo estudo em declarações ao New Atlas, “embora vá demorar provavelmente algum tempo até que qualquer benefício se materialize na medicina. Isso muda muito a forma como pensámos a doença.”

As mais recentes pesquisas sobre a doença de Alzheimer concentram-se numa proteína específica chamada de beta amilóide. A agregação desta proteína é apontada como a principal causa patológica dos sintomas desta doença neuro-degenerativa.

No entanto, e depois de várias falhas nos testes clínicos em medicamentos destinados a atacar esta proteína, os cientistas estão a direccionar a atenção para outras pesquisas.

Este novo estudo, publicado esta terça-feira na eLife, concentra-se numa proteína diferente, a proteína tau. A pesquisa descobriu que estas proteínas formam aglomerados anormais no cérebro – os emaranhados neurofibrilares – que pode acumular e até matar neurónios. Alguns investigadores acreditam mesmo que esta é a principal causa da doença de Alzheimer.

Até agora, não se sabia como ou quando é que estas proteínas tau se começavam a acumular em emaranhados no cérebro. Anteriormente acreditava-se que estas proteínas isoladas não tinham um papel prejudicial até que se começassem a juntar a outras proteínas tau.

No entanto, a nova pesquisa revelou que uma proteína tau tóxica apresenta-se, na verdade, de forma desdobrada, expondo partes que geralmente são dobradas no interior, antes de se começarem a agregar. São estas partes expostas da proteína que permitem a agregação, formando os maiores emaranhados tóxicos.

“Pensamos nesta descoberta como o “Big Bang” da patologia tau”, disse Diamond. “Esta é uma forma de olhar para o início do processo da doença. Isso leva-nos de volta a um ponto inicial, onde vemos o aparecimento da primeira mudança molecular que leva à neuro degeneração na doença de Alzheimer.”

Agora que esta alteração das moléculas tau foi identificada, os cientistas podem concentrar-se mais efectivamente em possíveis medicamentos que possam inibir estas agregações tóxicas ainda em fases iniciais.

“O desafio passa por pegar nesta descoberta e construir um tratamento que bloqueia o processo de neuro degeneração onde começa. Se funcionar, a incidência da doença de Alzheimer pode ser substancialmente reduzida. E isso seria incrível”, concluiu.

Por ZAP
12 Julho, 2018

Agora, resta saber se os grandes grupos farmacêuticos vão deixar ir para a frente essa descoberta, face à perda do negócio de venda de medicamentos utilizados na doença de Alzheimer…

18.Mar.2019 - 32 meses

18.Mar.2019 – 32 meses

2 dias ago cuidador cuidador
Faz hoje trinta e dois meses que nos deixaste para sempre e a Saudade não sai dos nossos corações.…
Read More
2 dias ago18.Mar.2019 – 32 meses
15.Mar.2019

15.Mar.2019

5 dias ago cuidador cuidador
Dia de visita à nossa querida Tina, hoje com um raminho de flores super-lindo.…
Read More
5 dias ago15.Mar.2019
Cuidadores informais: "Em que é que me vão formar depois de 23 anos a cuidar das minhas filhas?"

Cuidadores informais: “Em que é que me vão formar…

1 semana ago cuidador cuidador
Iniciativas legislativas do governo e dos diferentes partidos são discutidas hoje no parlamento. Cui…
Read More
1 semana agoCuidadores informais: “Em que é que me vão formar…
Cuidadores informais reclamam junto ao parlamento estatuto próprio

Cuidadores informais reclamam junto ao parlamento…

1 semana ago cuidador cuidador
O parlamento debate esta sexta-feira medidas do Governo e projectos do PSD, CDS e PAN para apoiar os…
Read More
1 semana agoCuidadores informais reclamam junto ao parlamento…
08.Mar.2019

08.Mar.2019

2 semanas ago cuidador cuidador
O dia amanheceu solarengo e aproveitámos e fomos fazer-te uma visita. Ontem, já aqui tinha deixado u…
Read More
2 semanas ago08.Mar.2019

[powr-hit-counter id=1ec4bd20_1531402470580]