A propósito de “desonra”…

Um dia após a passagem de um ano do falecimento de minha esposa, li num diário online, o seguinte título: “Costa considera que manutenção de Ventura como candidato “desonra” Passos”, isto em ordem ao candidato autárquico André Ventura do PPD a Loures, por eventuais afirmações “racistas” contra a etnia cigana.

Mas quem se pode desonrar quem já não possui qualquer espécie de honra, de verticalidade, de honestidade, de dignidade, como é o caso do farsolas PaFioso que destruiu este país e o seu Povo, no governo anterior?

As imagens que se seguem, são extremamente chocantes para pessoas sensíveis, mas elas têm de ser mostradas para que provem o que o desgoverno do regime PaFioso proto-nazi do PPD/CDS e, concomitantemente, o seu executor principal, mais conhecido por Dr. Morte fez enquanto esteve no poder.

Minha esposa não morreu da doença (Alzheimer) mas da falta de assistência hospitalar – que vários médicos lhe negaram (médico de família, psiquiatria e neurologia) – e onde deveria estar para ser assistida, tratada, medicada e acompanhada, evitando o sofrimento atroz nos seus últimos dias de vida.

A resposta era sempre que não existiam meios, não existiam condições para o seu internamento e a solução passava, sempre, por um Lar de Idosos, como se estas instituições tivessem a capacidade técnica de uma unidade hospitalar ou, pelos cuidados paliativos e/ou continuados, todos eles de elevados custos para o nosso orçamento familiar.

Não satisfeitos com a situação em curso, ainda me acusaram de ter negado esses cuidados (paliativos e continuados) a minha esposa o que levou ao extremo da minha indignação informando-os que se pagasse aqueles “cuidados”, teria de ir viver para debaixo da ponte com a minha filha que também e infelizmente, possui uma doença crónica grave, com estados de coma frequentes.

Nas últimas semanas de vida de minha esposa, iam ao domicílio duas enfermeiras do Centro de Saúde fazerem-lhe a limpeza das feridas, renovarem pensos, duas vezes por semana, que passaram a três vezes dada a gravidade da situação. Mesmo com a presença da médica de família por duas vezes nas últimas semanas de vida e constatando in loco, ao vivo e a cores, a gravidade da situação, nunca lhe foi dada a mais pequena hipótese de internamento hospitalar.

Foi algaliada e colocaram-lhe uma sonda gástrica que já nada adiantava e que fez com que tivesse de chamar o INEM que a levou para a urgência do hospital de S. Francisco Xavier, onde viria a falecer horas depois, devido a insuficiência respiratória provocada por choque séptico. Quem pretender saber o que é choque séptico, vá ao Google e escreva essas palavras, mas resumidamente:

Choque séptico é uma complicação de uma infecção na qual as toxinas dão início a uma resposta inflamatória em todo o corpo. É frequente em idosos ou em pessoas com comprometimento do sistema imunológico.

Os médicos identificaram três estágios de sepse:

  • sepse, quando a infecção atinge a corrente sanguínea e causa inflamação em todo o corpo
  • sepse grave, que ocorre quando a infecção interrompe o fluxo de sangue para o cérebro ou para os rins, levando à falência órgãos. Os coágulos de sangue causam gangrena (morte do tecido) nos braços, pernas e dedos das mãos e dos pés.
  • choque séptico, quando a pressão sanguínea cai significativamente. Isso pode levar a falência respiratória, cardíaca ou de um órgão e à morte.

A queixa que ainda em vida de minha esposa apresentei contra a médica de família, logo, há mais de um ano, ainda encontra-se de pantanas de um lado para o outro na Ordem dos Médicos e, pelos vistos, vai morrer solteira. Meus amigos, quem neste País não tem uma forte componente financeira como suporte, está previamente condenado a este tipo de situações em toda e qualquer outra área social.

Atenção às imagens que podem chocar pessoas sensíveis:

Tratamento às úlceras

6 de Julho de 2016 – úlcera na anca com exposição óssea
Saco da algália com urina completamente castanha
Úlcera num dos braços
Úlcera na região sagrada, com exposição óssea
Não é uma cama de hospital mas sim no domicílio já com sonda gástrica e algália instaladas.

Descansa em Paz, minha querida, que eu nunca perdoarei a quem tanto mal te fez em vida.

19.Ago.2017

19.Ago.2017

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Dia de visita à campa da nossa querida Tina que fez ontem 13 meses que nos deixou para sempre. Repou…
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2 dias ago cuidador cuidador
Há 13 meses que partiste e ainda parece que foi ontem... Não te esquecemos minha querida, vives nos…
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29.Jul.2017

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Mais um dia de visita à campa da nossa querida Tina. As flores de sábado passado estavam todas murch…
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117: 31.Out.2016

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0-lutotransp200Hoje, paguei € 300,00 referente à 2ª. e última prestação referente ao IRS de 2015, imposto que até à tomada do poder pela caranguejola PaFiosa PPD/CDS, nunca antes tinha pago devido aos baixos rendimentos auferidos pelas pensões de reforma do casal.

Apenas desejo que o PaFioso Pedro Passos Coelho e todo o gang que o ajudou na tarefa de saquear os mais necessitados, passem tantas amarguras e desastres nas suas vidas como as que tenho passado pelo austericídio que eles impuseram a quem mais necessita e possui rendimentos básicos de sobrevivência.

Mas que, pelos vistos, a geringonça que lá está agora, continua sem aliviar este autêntico saque ao bolso dos mais precários.

As moscas mudaram mas a trampa é a mesma. Apenas diferem nas cores que utilizam para os identificarem politicamente.

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19.Ago.2017

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12.Ago.2017

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29.Jul.2017

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99: 06.Out.2016

0-lutotransp200Finalmente (!!!) recebi hoje a atenção do CNP – CENTRO NACIONAL DE PENSÕES com um e-mail nestes termos:

De: CNP-PENSOES <CNP-PENSOES@seg-social.pt>
Assunto: FW: Situação difícil
Data: qui 06/10/2016 14:17
Para: F Gomes

Caro Senhor
FRANCISCO GOMES

Relativamente ao seu contacto o qual agradecemos, informa-se que o pedido de benefícios por morte (subsídio por morte e pensão de sobrevivência) apresentado encontra-se concluído.

Assim, o pagamento da pensão de sobrevivência, reportando-se a 2016/08/01, será efetuado no mês de novembro de 2016.

Para qualquer esclarecimento adicional, não hesite em contactar-nos.

Com os melhores cumprimentos,

Núcleo de Gestão da Relação com o Cliente
Unidade de Apoio à Direção
Centro Nacional de Pensões
Instituto da Segurança Social, I.P.
Campo Grande, n.º 6 | 1749-001 Lisboa
Telef.: (+351) 300 502 502 | Fax: (+351) 300 510 851

Ou seja, não basta AINDA NÃO TEREM PAGO os subsídios de Agosto, Setembro e Outubro fazendo-o apenas em NOVEMBRO! Entretanto as pessoas podem ir comendo trampa ou se calhar nem isso têm para comer; podem ter ficado sem água, sem electricidade ou sem gás por falta de pagamento, que eles também não se importam com isso e continuarem com a renda da casa por pagar e dependendo apenas da bondade do senhorio…

Acho que já nem vale a pena fazer mais comentários pois a merda de país em que vivo, a merda de políticos que por cá vegetam e a merda de instituições que são tudo menos de segurança ou sociais demonstram bem o que são ou representam para essa corja, os pensionistas, reformados ou utentes.

Aliás, existe apenas uma coisa em que eles se interessam principalmente: ROUBAR O MAIS POSSÍVEL A QUEM POUCO OU NADA TEM.

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19.Ago.2017

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97: 04.Out.2016

Hoje, recebi o seguinte e-mail da CGA-Caixa Geral de Aposentações:

De: CGA Geral <cga@cgd.pt>
Assunto: RE:’CGA=001-555-069′ Pedido de informação
Data: ter 04/10/2016 10:54
Para: F Gomes

Ex.mo Senhor

O pagamento da pensão de sobrevivência iniciar-se-á no corrente mês de Outubro, mais precisamente no dia 19.
Em conjunto serão pagos os retroactivos, devidos desde 18 de Julho.

Continuamos a aguardar a resposta do Centro Nacional de Pensões.

Com os melhores cumprimentos,
UAC 12 – Equipa de Atendimento Escrito

==========================

Continuam a aguardar resposta do CNP-Centro Nacional de Pensões, a dois faxes enviados pela CGA. Ainda não tiveram tempo de colocarem duas cruzinhas no papel e devolverem à CGA a fim desta poder libertar e pagar as despesas do funeral?

E também do CNP PAGAR o que me é devido, ou seja, as pensões de Agosto, Setembro e provavelmente, por este andar, a de Outubro no próximo dia 10? Souberam sacar atempadamente à minha conta bancária, sem meu conhecimento ou ordem expressa nesse sentido, a pensão creditada indevidamente em 10 de Agosto de € 219,20 e agora não são tão lestos a PAGAREM O QUE ME DEVEM??? CANALHAS!

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19.Ago.2017

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72: 11.Set.2016

0-lutotransp200Rápidos a ESMIFRAR dinheiro aos contribuintes de fracos recursos económicos são extremamente rápidos, PAGAR o que os contribuintes têm DIREITO por lei… isso é para quando existir… oportunidade…!

E é neste país miserável onde vivo que a AT-Autoridade Tributária e Aduaneira, mais conhecida por Fisco ou Finanças, enviou-me hoje um aviso de pagamento no valor de € 300,00 referente à 1ª. prestação (de duas) do IRS de 2015, a liquidar até dia 30 do corrente mês. Como é que um contribuinte que recebe de pensão pouco mais de € 460,00  pode pagar esta verba se a pensão da esposa terminou por falecimento em 18 de Julho e os subsídios por viuvez referentes aos meses de Agosto e Setembro não foram pagos nem sequer o subsídio de funeral?

Se ficar sem dinheiro para pagar a renda da casa, a água, o gás ou a electricidade, a farmácia, a alimentação ou outras despesas básicas de primeira necessidade, QUE SE LIXE! Desenrasca-te que a banca, os banqueiros, os corruptos, os ladrões e os vígaros precisam de continuar a chupar o teu dinheiro!

Eu gostaria de ser premiado com o €uromilhões não para ser mais um novo-rico, mas para poder FUGIR deste país e destas quadrilhas que me andam a ROUBAR no pós golpe de Estado de Abril’74.

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19.Ago.2017

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66: 06.Set.2016

0-lutotransp200Não tenho qualquer tipo de conotação/ligação/simpatia político/partidária com NENHUM partido ou associação política existentes em Portugal ou no estrangeiro, por isso, encontro-me completamente à vontade para publicar o que entender deva ser do conhecimento público e, neste caso, ligado à doença que levou à morte de minha esposa no passado dia 18 de Julho. Quem usar palas nos olhos, passe à frente.

Recebi do Grupo Parlamentar do BE a seguinte informação:

Lar de idosos

30 de Junho de 2016

proj.resolucao-gp_236O envelhecimento é um dos grandes fenómenos do século XXI. Segundo o relatório da ONU (World Population Prospects: The 2006 Revision): «A população mundial continua a envelhecer e irá exceder os 9 mil milhões de habitantes até 2050». Os dados do EUROSTAT apontam para três em cada dez pessoas ter 65 ou mais anos em 2050. Por força do aumento ininterrupto do número de idosos, o fenómeno do envelhecimento tem vindo a influenciar transversalmente toda a sociedade.

Conforme resulta dos princípios das Nações Unidas em favor das pessoas idosas, adoptados pela resolução n.º 46/91 da Assembleia Geral das Nações Unidas, de 16 de Dezembro de 1991, os governos devem adoptar medidas com vista à independência, participação, assistência, realização pessoal e dignidade dos idosos. No mesmo sentido, a Constituição da República Portuguesa prevê que as pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal, evitando e superando o isolamento ou a marginalização social.

Segundo o relatório da Comissão Europeia “The 2015 ageing report”, Portugal surge em 2060 como o país com o segundo maior índice de dependência dos idosos. Este é um fenómeno complexo, cuja resposta é multidimensional, mas que precisa de ser abordado com princípios inalienáveis de respeito pela autonomia das pessoas.

Ora, como é sabido, o fenómeno do envelhecimento tem carecido de respostas públicas e, frequentemente, é um nicho de negócio com regras em que os direitos das pessoas são depreciados em favor de outras lógicas. No nosso país, há hoje práticas inaceitáveis que têm vindo a ser denunciadas por várias organizações e pela imprensa e que não se compaginam, de forma alguma, com os princípios resultantes da referida resolução e que violam clamorosamente a Constituição. A ausência de políticas públicas capazes de contrariar o abandono, as listas de espera dos lares, a ausência de uma resposta pública adequada (73% das respostas ao nível de protecção social a idosos, crianças e deficientes estão delegadas pelo Estado em instituições privadas, por via de protocolos que ascendem aos 1,3 milhões de euros/ano), e a transformação em negócio de muitos dos lares protocolizados com a Segurança Social são alguns exemplos.

No caso específico dos lares, são diversos os problemas identificados: lacunas graves ao nível dos estímulos cognitivos e emocionais (jogos, música, exercício físico), a falta de articulação com as famílias para saídas e visitas que possam ser organizadas com os idosos, os horários de visitas restritivos e desajustados às necessidades, a vulgarização de práticas que se revelam impróprias para a saúde física e mental dos idosos – como ministrar doses excessivas de medicação -, a falta de incentivo às famílias que permitam cuidados domiciliários e que garantam um maior acompanhamento, a falta de aposta na formação de cuidadores, bem como a escassez de actividades culturais e de formação para os próprios idosos, de modo a prevenir o processo rápido de envelhecimento, entre outros problemas que têm vindo a ser identificados. A ausência de uma resposta pública e de uma fiscalização efectiva das instituições que mantêm protocolos privados com o Instituto de Segurança Social agrava estas dificuldades.

De acordo com a criadora do site Lares Online (laresonline.pt), Marina Lopes: «esta é uma área extremamente complexa. Há lares do sector social que têm camas reservadas para a Segurança Social, camas com acordos de comparticipação da Segurança Social e ainda camas privadas, algumas com custos superiores às dos lares lucrativos, o que é estranho, porque teoricamente não existem para ter lucro.»

A 3 de Maio de 2016, o Diário de Notícias escreve uma notícia segundo a qual «a Direcção-Geral da Saúde suspeita que os idosos estejam a tomar sedativos em excesso, principalmente em lares». Segundo Álvaro de Carvalho, director do programa nacional para a saúde mental da Direcção-Geral de Saúde (DGS), «relativamente às pessoas idosas, há muitos ecos de que há medicação em excesso em casa e, sobretudo, nos lares. Há a presunção de que é frequente serem medicadas com mais do que é indicado pelo médico para não incomodarem». Também Wolfgang Gruner, médico e vice-presidente da Associação Portuguesa de Psicogerontologia, dizia que «há a percepção de que pode haver excesso de medicação nos lares para os doentes estarem mais tranquilos e dormirem melhor.» A notícia assinalava ainda uma maior predominância de demência «em pessoas que vivem em lares do que naquelas que vivem em comunidade» e referia um estudo feito na Administração Regional de Saúde do Norte e citado pelo relatório da DGS, nos termos do qual a prevalência duplica nos idosos institucionalizados. Wolfgang Gruner mencionava que «se um idoso já com dificuldades cognitivas vai para uma sala cheia de idosos e passa o dia a ver televisão, é natural que a sua capacidade cognitiva se deteriore por falta de estímulos. Falar, discutir é muito importante. E isso é muito difícil na maioria dos lares».

No relatório Saúde Mental em Números 2015, publicado recentemente pela DGS, focado na faixa etária dos 65 aos 69 anos, registava-se um aumento do consumo de ansiolíticos (mais de 30 milhões de doses diárias) do que em 2014, valores próximos dos que se observavam na população entre os 70 e os 79 anos. Quanto à utilização de antidepressivos, era também entre os 65 e 69 que havia o maior consumo (quase 35 milhões de doses diárias).

Além dos problemas relacionados com os lares enquanto resposta social e com o seu funcionamento, há ainda desigualdades inaceitáveis no acesso às vagas existentes. É do conhecimento público que algumas Misericórdias e instituições de solidariedade social contornam a ordem da lista de entrada nos lares e priorizam a entrada de quem tem reformas mais altas, a fim de obterem maiores rendimentos pelo serviço prestado. Esta realidade, que configura uma prática que vai contra a lei e contra os próprios protocolos estabelecidos é, de resto, assumida pelos responsáveis do sector particular. Em declarações ao Diário de Notícias, Manuel Lemos, presidente da União das Misericórdias, confirma-a: «Eu próprio tenho dito aos provedores para, depois de uma avaliação da situação das pessoas, e em nome da nossa sustentabilidade, fazerem o equilíbrio nas entradas. Ou seja, que deixem entrar um que tem mais posses e dois com menos. É uma questão de equilíbrio», considera. Ora, estas práticas em instituições com protocolos de cooperação com o Instituto de Segurança Social não nos parecem aceitáveis.

A restituição da dignidade aos idosos, garantindo o cumprimento do seu direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário é essencial. Neste caso particular, isso passa por reforçar o conhecimento deste fenómeno, garantir uma maior fiscalização, o respeito por regras a que o próprio Estado está obrigado e pelo aumento da resposta pública neste domínio.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:

1. Proceda a um estudo sobre a problemática do envelhecimento e da institucionalização dos idosos que contemple:

a) O mapeamento das respostas sociais aos idosos, quer públicas, quer protocolizadas, quer do sector lucrativo;
b) Um levantamento das práticas existentes nos lares de idosos, nomeadamente ao nível do respeito pelo bem-estar, pela saúde física e mental e pela autonomia e autodeterminação dos idosos;
c) Um levantamento sobre as qualificações e os programas de formação dos cuidadores;
d) A identificação de respostas alternativas à institucionalização;
e) A redacção de um manual de boas práticas nos lares de idosos, de aplicação obrigatória em todos os lares com protocolo com a Segurança Social.

2. Garanta a fiscalização, por parte da Segurança Social, dos lares de idosos, nomeadamente com os seguintes objectivos:

a) O respeito, em todos lares e independentemente da sua natureza, dos princípios a que o Estado português está vinculado, designadamente ao nível da garantia da independência, participação, assistência, realização pessoal e dignidade dos idosos;
b) A garantia de que, nas instituições privadas com protocolos de cooperação com o Instituto de Segurança Social, as ordens das listas de espera são respeitadas, cessando os protocolos de cooperação com as instituições que façam passar idosos com maiores rendimentos à frente de idosos com pensões e rendimentos menores que estejam à frente na lista.

3. Um reforço da resposta pública nesta área, especialmente através:

a) do reforço da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados e do apoio domiciliário;
b) de um plano para o reforço dos equipamentos públicos de resposta a pessoas idosas;
c) de um programa de formação de cuidadores e o reconhecimento do Estatuto do Cuidador Informal.
d) Assembleia da República, 29 de Junho de 2016.

As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda

(texto integral apenas corrigido para a ortografia pré-Acordo Ortográfico do qual não sou aderente).

Lendo bem o texto, foi por muitas das deficiências apontadas em Lares de Idosos que NUNCA quis que minha esposa fosse depositada numa dessas instituições mas sim internada num hospital para tratamento, acompanhamento, estabilização e depois ser devolvida ao domicílio onde tinha quem cuidasse dela com todo o carinho que se pode prestar a um ser humano.

Tal não foi entendido pelos médicos que a assistiram, quer de medicina familiar, quer de psiquiatria e até mesmo de neurologia que todos eles, sem excepção, apontaram sempre para Lares de Idosos.

Quanto a ajudas, estamos conversados porque até os tratamentos – efectuados por enfermeiras do Centro de Saúde a que pertencemos -, às úlceras que levaram à morte de minha esposa por CHOQUE SÉPTICO (consta do óbito), foram taxados e pagos.

 

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19.Ago.2017

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54: 11.Ago.2016

0-lutotransp200Anteontem, recebi do Hospital de São Francisco Xavier, a meu pedido, cópia do Certificado de Óbito da Tina. Nesse certificado vem mencionado:

Causa da Morte:

Parte I
a) Choque Séptico
b) Úlcera de pressão região sagrada

Parte II
Úlcera na região sagrada com exposição óssea; asma brônquica, hipotiroidismo, HTA; arritmia

Causa da morte indicada com base em elementos de ordem clínica.

Para os interessados, pesquisei no Google, dado que não tenho presunção a conhecimentos de medicina e deparei-me com o seguinte:

Choque séptico: sintomas, tratamentos e causas

Visão Geral

O que é Choque séptico?

O choque séptico é uma condição grave que ocorre em decorrência da sepse e traz risco de vida. Ocorre quando um agente infeccioso, como bactérias, vírus ou fungo, entra na corrente sanguínea de uma pessoa. Essa infecção afecta todo o sistema imunológico, desencadeando uma reação em cadeia que pode provocar uma inflamação descontrolada no organismo. Esta resposta de todo o organismo à infecção produz mudanças de temperatura, da pressão arterial, frequência cardíaca, contagem de células brancas do sangue e respiração.

Causas

Choque séptico é geralmente causado por infecção bacteriana. Qualquer tipo de bactéria pode causar choque séptico. Fungos e vírus também podem causar essa condição, embora infecções virais sejam extremamente raras. As toxinas liberadas pelos agentes invasores podem causar danos nos tecidos e resultar em pressão arterial baixa e função reduzida dos órgãos. Alguns pesquisadores acreditam que os coágulos sanguíneos em pequenas artérias interrompem o fluxo sanguíneo e causam a redução da função dos órgãos.

O organismo também produz uma forte resposta inflamatória às toxinas. Essa inflamação pode contribuir para que ocorram danos nos órgãos.

Factores de risco

Os factores de risco para choque séptico incluem:

Idade: tanto pessoas muito jovens quanto pessoas muito idosas são mais propensas a ter choque séptico
Diabetes
Doenças do sistema geniturinário, sistema biliário e no sistema intestinal
Doenças que enfraquecem o sistema imunológico, como a Aids
Cateteres de longa permanência (aqueles que permanecem no lugar por longos períodos de tempo, especialmente linhas intravenosas, cateteres urinários e stents de plástico e metal usados para drenagem)
Leucemia
Uso prolongado de antibióticos
Linfoma
Infecção recente
Cirurgia ou procedimento médico recente
Uso recente de medicamentos esteroides.

Sintomas
Sintomas de Choque séptico

O choque séptico pode afectar qualquer parte do organismo, incluindo coração, cérebro, rins, fígado e intestinos. Os sintomas podem incluir:

Extremidades frias e pálidas
Temperatura alta ou muito baixa, tremores
Tontura leve
Pressão arterial baixa, especialmente quando de pé
Produção de urina reduzida ou ausente
Palpitações
Frequência cardíaca acelerada
Inquietação, agitação, letargia ou confusão
Falta de ar
Exantema cutâneo ou descoloração da pele

Convivendo (prognóstico)
Complicações possíveis

Entre as principais complicações decorrentes de choque séptico, estão:

Insuficiência respiratória
Insuficiência cardíaca
Falência de qualquer outro órgão do corpo.

Pode ocorrer gangrena, resultando possivelmente em amputação de um membro, principalmente pernas.

Expectativas

O choque séptico tem uma alta taxa de mortalidade. A taxa de mortalidade depende da idade do paciente e de suas condições gerais de saúde, da causa da infecção e de quantos órgãos apresentaram insuficiência, assim como da rapidez e agressividade com as quais o tratamento médico foi iniciado.

In Minha Vida

Úlcera de Pressão Região Sagrada

Do mesmo modo, pesquisei esta área e fui dar a um documento que pode ler NA ÍNTEGRA AQUI, com origem na Unidade de Missão para os Cuidados Continuados Integrados

0 – Introdução
O aparecimento de uma Úlcera de Pressão é, quase sempre, consequência do incumprimento de boas práticas nos cuidados prestados a doentes sujeitos a longos períodos de imobilidade. A sua prevenção e tratamento requerem uma equipa multidisciplinar composta por enfermeiros, médicos, nutricionistas, assistentes sociais e fisioterapeutas. O risco de desenvolvimento de úlceras de pressão aumenta consideravelmente quando se combinam os seguintes factores:
ƒ
  • Imobilidade
  • Compromisso do sistema imunitário
  • Perda de massa muscular
A manutenção da integridade cutânea, intervindo nos factores que a condicionam, é determinante para a qualidade de cuidados prestados. A circular informativa da Direcção Geral da Saúde de 23-06-98 refere que “ o aparecimento de Úlceras de Pressão, associado ou não a outros factores, é um indicador da qualidade dos  cuidados prestados pela equipe de saúde”.
As presentes recomendações pretendem alertar para os meios de prevenção. Os diagnóstico e tratamento adequados deverão obedecer a normas e protocolos consensualizados, que oportunamente serão divulgados.

1 – Definição de Úlceras de Pressão

As Úlceras de Pressão são áreas da superfície corporal localizadas que sofreram exposição prolongada a pressões elevadas, fricção ou estiramento, de modo a impedir a circulação local, com consequente destruição e/ou necrose tecidular. A classificação da ferida é particularmente importante quando a lesão do tecido é
observada pela primeira vez, uma vez que será a referência para avaliação da sua evolução.

Há vários métodos de classificação das Úlceras de Pressão, sendo o mais comum aquele que atribui graus ás estruturas e tecidos lesados.

Grau I

– Presença de eritema cutâneo que não desaparece ao fim de 15 min de alívio da pressão. Apesar da integridade cutânea, já não está presente resposta capilar.

Grau II
– A derme, epiderme ou ambas estão destruídas. Podem observar-se flictenas e escoriações.

Grau III
– Ausência da pele, com lesão ou necrose do tecido subcutâneo, sem atingir a fascia muscular.

Grau IV
– Ausência total da pele com necrose do tecido subcutâneo ou lesão do músculo, osso ou estruturas de suporte (tendão, cápsula articular, etc.)

Nos graus III e IV podem apresentar-se lesões com trajectos sinuosos. Para  proceder a uma classificação correcta das úlceras deve primeiro, ser retirado o
tecido necrosado.

2 – Etiologia das Úlceras

A sucessão de acontecimentos que levam ao aparecimento de uma Úlcera de pressão são:

Pressão – Hipoxia e isquemia tecidular

– Necrose das células – Ulceração.

2.1 Pressão

A aplicação directa de pressão superior à pressão de encerramento dos capilares (16-33 mm Hg ), sobre a pele e tecidos moles vai provocar hipoxia em toda a região abrangida e, se a pressão se mantiver, anóxia tecidular. Um doente debilitado, com zonas cutâneas sujeitas a uma pressão de 20 mm Hg por um período superior a 2 horas, pode desencadear nelas uma situação de isquémia grave.

A pressão e o tempo a que os tecidos a ela estão sujeitos são factores determinantes no aparecimento de lesões. As proeminências ósseas, ao aumentarem a pressão directa contra os tecidos moles, são local preferencial
para o aparecimento das lesões.

As feridas assim provocadas têm uma extensão maior perto da proeminência óssea e menor à superfície, tomando a característica forma de cone invertido. A ulceração inicia-se junto ao osso e progride até à superfície, no sentido da  aplicação da pressão.

Quando a pressão é aplicada longitudinalmente, surge uma úlcera de pressão com características diferentes. A extensão é maior à superfície e menor em profundidade. Na etiologia das úlceras de pressão temos ainda que considerar factores de risco intrínsecos e extrínsecos

2.2 Factores intrínsecos

Os factores intrínsecos podem ser:

Vasculares: incluem alterações como arteriopatias obliterantes, insuficiência venosa periférica e microarteriopatia diabética. Em todos os casos a oxigenação dos tecidos a nível local ou geral está comprometida, devido à redução da pressão capilar por interrupção ou inversão do fluxo sanguíneo.

Neurológicos: alterações da sensibilidade, da motricidade e do estado de consciência, podem induzir situações de imobilidade ou agitação, que favorecem as forças de pressão e/ou de fricção.

Tópicos: a diminuição da elasticidade da pele, a perda de gordura sub-cutânea e a
atrofia muscular, levam ao aparecimento de proeminências ósseas mais salientes, facilitadoras do aparecimento de úlceras de pressão, sobretudo em pessoas idosas

Gerais: neoplasias, febre, infecções, desnutrição, fármacos (córticosteroides, analgésicos e sedativos) que possam diminuir a sensibilidade.

2. 3 Factores extrínsecos

São as forças físicas que actuam a nível local, como compressão prolongada, fricção e estiramento.

3 – Prevenção das Úlceras de pressão
Qualquer atitude ou programa de prevenção deve iniciar-se pela informação e educação, pelo que os cuidadores, incluindo os informais, assim como o doente devem estar esclarecidos acerca da correlação directa entre a ocorrência das úlceras e a qualidade dos cuidados prestados.
A manutenção da integridade cutânea e a ausência de lesões reflecte mais o trabalho da equipa de cuidadores do que o estado geral do doente.
São de considerar:
3.1 Áreas de risco
A localização das úlceras está associada às proeminências ósseas do esqueleto  humano e à atitude postural do doente. São áreas preferenciais para o seu aparecimento:
ƒ
  • região sacro coccígea
  • ƒregião trocanteriana / crista ilíaca
  • ƒregião isquiática
  • ƒregião escapular
  • ƒregião occipital
  • ƒcotovelos
  • ƒcalcâneos
  • ƒregião maleolar
Áreas de risco relacionadas com posições:
Em decúbito lateral:
ƒ
  • maléolo externo
  • ƒtrocânter
  • caixa torácica, na região das costelas
  • ƒacrómio
  • ƒpavilhão auricular
  • ƒface externa dos joelhos
Em decúbito dorsal:
ƒ
  • calcâneos
  • ƒregião sacro coccígea
  • ƒcotovelos
  • ƒregião occipital
  • ƒomoplatas
Em posição de Fowler:
ƒ
  • região sagrada
  • ƒregião isquiática
  • ƒcalcâneos
3.2 Medidas de conforto, higiene e hidratação cutânea
A pele deve ser observada diariamente e sujeita a cuidados:
ƒ
  • manter a pele seca (e limpa);
  • ƒlavar com água morna e sem esfregar/causar fricção;
  • secar a pele, sem friccionar e utilizar toalhas ou outros tecidos suaves e lisos;
  • não utilizar álcool;
  • usar sabões não irritantes e hidratantes;
  • massajar com cremes hidratantes;
  • não massajar sobre as proeminências ósseas ou zonas ruborizadas (os capilares já estão afectados);
  • quando presentes situações de incontinência, a zona afectada deve ser limpa e seca o mais rapidamente possível;
  • usar meios de protecção que não danifiquem ou irritem a pele.
3.3 Medidas de alívio de pressão
3.3.1 Meios materiais
Existem vários materiais e dispositivos que podem ser utilizados na prevenção de úlceras de pressão. Muitos deles também têm o seu uso no tratamento das mesmas. Entre os materiais existentes, são de referir:
Colchões:
ƒ
  • colchão de água
  • ƒcolchão de sílica
  • ƒcolchão de silicone
  • ƒcolchão hidro-aéreo
  • ƒcolchão de pressão alternada.
A escolha do colchão deverá considerar a relação custo/benefício, tendo presente que todos eles podem ser eficazes, mas que a alternância de decúbitos do doente é obrigatória, seja qual for o colchão usado.
Roupa:
ƒ
  • lençóis moldáveis, sem bordas, lisos
  • ƒroupa de tecidos naturais
  • ƒtêxteis de lã de carneiro (“meias”, resguardos)
Suportes:
ƒ
  • almofadas
  • ƒalmofadas e dispositivos especiais para suporte dos pés e cotovelos
  • ƒ“sogras” (com uso limitado)
Pensos protectores:
ƒ
  • placas hidrocolóides
  • ƒdermoprotectores de gel
  • ƒpelículas especiais
Basicamente, na prevenção, a característica mais importante dos materiais utilizados é aliviar e/ou diluir a pressão no corpo, sem causar fricção, estiramento ou “pontos quentes”.
3.3.2 Recursos humanos.
Nunca é demais repetir que a mobilização e alternância de decúbitos do doente são fundamentais para a prevenção das úlceras de pressão. Para tal são fundamentais os recursos humanos, quer em número, quer em competências.
Neste sentido, existem regras e protocolos que estabelecem qual o número mínimo de elementos que deverão estar presentes numa determinada situação e perante patologias determinadas.
Por exemplo, quando se estabelece um protocolo de posicionamento é necessário garantir os elementos necessários ao seu cumprimento, de acordo com recomendações comunitárias, que visam estabelecer critérios de segurança no  trabalho. Está implícito que todos os intervenientes conhecem quais as atitudes a ter na mobilização dos doentes.
Assim:
ƒ
  • Pesos (doentes) até 25 kg podem ser manipulados por uma pessoa.
  • ƒPesos (doentes) entre 25 e 50 kg devem de ser manipulados por duas pessoas.
  • ƒPesos (doentes) de mais de 50 kg devem de ser manipulados por 3 pessoas (mínimo) ou com ajuda mecânica, ou ambas.
O respeito por estas recomendações garante não só a protecção dos prestadores como e sobretudo, a correcção de execução das manobras necessárias ao correcto posicionamento.
3.3.3 Técnicas de alívio de pressão
Para além dos meios descritos anteriormente, existe um conjunto de técnicas que contribuem para a prevenção de úlceras de pressão e que se baseiam nas operações de posicionamento dos doentes.
Técnicas de posicionamento dos doentes:
ƒ
  • evitar arrastar o doente –levantar!
  • ƒdistribuir o peso do doente no colchão, evitando zonas de pressão.
  • ƒcolocar o doente em posições “naturais”. (respeitando o alinhamento corporal).
  • ƒnão elevar a parte superior da cama mais que 30-35º quando o doente estiver em posição lateral, de modo a evitar pressão de deslizamento.
o tempo que um doente pode permanecer em qualquer posição, depende dos meios e materiais usados, posição e estado geral. O tempo médio considerado para reposicionar doentes é com intervalos de 3-4 horas. Isto permite que a pele “descanse” após o posicionamento anterior e evita mobiliza-los demasiado , com fricção desnecessária.
3.4 Alimentação
3.4.1 – Necessidades de nutrientes na prevenção de úlceras de pressão
Indivíduos portadores de doença ou deficiência ou em situação de acamados precisam de uma alimentação adequada, com valor energético acima do basal.
O aporte dos nutrientes necessários deverá ser, tanto quanto possível, garantido através de produtos naturais e uma alimentação com confecção e apresentação “normais”, devendo o recurso a produtos farmacêuticos (suplementos alimentares) ser restrito aos casos em que existe indicação estrita para tal.
A título de exemplo, recorda-se que:
ƒ
  • As Proteínas são fundamentais para a regeneração tecidular e estimulam a função imunitária.
  •  ƒA Arginina aumenta a irrigação na área da ferida e facilita a regeneração do tecido.
  •  ƒAs vitaminas, principalmente a Vitamina C, ajudam na anulação dos radicais livres obtendo-se uma melhor síntese de colagéneos.
  •  ƒO Zinco facilita a mitose, com consequente aceleração do processo cicatricial.

In ACSS – Ministério da Saúde de Portugal

COMENTÁRIO FINAL: Resumindo e depois de ler estes textos, não é necessário ter-se um canudo em medicina para, depois do que passámos nestes últimos três anos, concluir que a Tina NÃO TEVE A ASSISTÊNCIA QUE LHE SERIA DEVIDA em ordem à sua doença, e MUITO MENOS OS CUIDADOS QUE ESTES MESMOS DOCUMENTOS INDICAM como sendo normas a seguir.

Negligência? Incúria? Desleixo? Incompetência?

Descansa em Paz querida. Espero que o teu sofrimento, causado por inadequados, insuficientes e inexistentes meios de CUIDADOS a que todo o SER HUMANO tem direito e NÃO FORAM UTILIZADOS EM TI, tenha finalmente terminado.

Não termino este post sem antes reproduzir, novamente, as úlceras de pressão que a Tina vinha apresentando, primeiro tratadas duas vezes por semana, depois três vezes por semana, com o conhecimento da médica de família que, por duas vezes, assistiu a esses tratamentos pelas enfermeiras do CENTRO DE SAÚDE, já nos últimos dias de vida.

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06072016_0306072016_02

01072016_01Deixa-se chegar um SER HUMANO a este estado de degradação total?

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A cama (com os colchões) em que a Tina passou os seus últimos dias de vida

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29.Jul.2017

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45: 24.Jul.2016

0-lutotransp200Sete dias passaram após o falecimento da Tina e ainda não consegui digerir a situação. E talvez nunca conseguirei digeri-la por tudo o que não só ela sofreu enquanto viva, como o descalabro psicológico que se abateu sobre mim e a Vera.

Dizem que a saudade sobrepõe-se à dor e à perda de um ente querido, mas este paradigma não se aplicará no meu caso. Porque vivo numa sociedade selvática e desumana, onde a lei, a ordem e o poder estão do lado dos mais fortes, seja em que área for, espezinhando todos aqueles que se encontram nos patamares inferiores dessa sociedade.

Não obtive qualquer ajuda e/ou apoio por parte dos médicos que assistiram a Tina, enquanto viva, nomeadamente na luta contínua que tive em pedir o seu internamento hospitalar dado que, não sendo médico e considerando não ser necessário ter um canudo de medicina e ter feito o hipócrita juramento de Hipócrates, constatar que o lugar da Tina NUNCA seria no domicílio mas numa unidade hospitalar onde teria todos os cuidados de que necessitava.

E esses cuidados foram-me sempre NEGADOS porque eram exigidos valores monetários fora do alcance das minhas possibilidades financeiras, valores esses que erradamente eram calculados em bases que não correspondiam à realidade.

Revendo os episódios mais recentes:

01.- Enviei o seguinte e-mail ao ex-médico de família da USF Descobertas, dr. José Gomes, que nos acompanhou durante anos naquela unidade de saúde:

Data: seg 18/07/2016 03:52
Para: ‘usf.descobertas@arslvt.min-saude.pt’

Assunto: Informação

A/c do dr. José Gomes

Informo que a sua ex-paciente e minha esposa, Maria Albertina Martins Chadeca dos Santos Gomes, faleceu hoje no hospital S. Francisco Xavier.

Não foi enviada qualquer resposta a este e-mail até à data.

02.- Na véspera da Tina falecer, enviei este e-mail à médica de família da USF Santo Condestável, dra. Irene Martins:

Data: dom 17/07/2016 22:34 (a Tina faleceu horas depois)
Para: condestavel.sec@csscondestavel.min-saude.pt

Assunto: Informação

URGENTE

A/c de:
Dra. Irene Martins
Serviço de Enfermagem

A D. Albertina Gomes teve hoje de ir novamente à urgência de S. Francisco Xavier devido a sonda ter entupido, apesar de todos os cuidados necessários na administração da sopa.

Uma sopa de legumes finamente triturada e que deveria ter levado, despercebidamente, uma pequena folha de legume porque o líquido deixou de passar.

Telefonámos para o INEM que disse irem enviar os técnicos para avaliarem a situação. Chegados e feita a avaliação, fomos informados que não dispunham de meios para trocar a sonda e tinham de levar a D. Albertina para o hospital.

Quando chegámos a S. Francisco Xavier, ainda estava à espera de ser observada e resumindo a parte final, foram feitas novas análises, penso que também um raios-X e foi-lhe diagnosticada infecção urinária, estiveram a aspirar secreções e, passada cerca de uma hora, fomos chamados ao médico que a assistiu e foi-nos dito que a D. Albertina encontrava-se em falência respiratória, que estavam a fazer todos os possíveis mas que o seu tempo estava a terminar.

Como as Sras. Enfermeiras ficaram de passar por cá, amanhã de manhã (segunda-feira), serve o presente apenas para alertar da situação dado que estou à espera de um telefonema do hospital sobre o desfecho deste episódio.

Obrigado,

Até à data não recebi qualquer resposta nem se dignaram responder a este e-mail.

03.- E-mail recebido da assistente social da USF Santo Condestável:

De: Susana Isabel Cordeiro <scordeiro@csscondestavel.min-saude.pt>
Data: ter 19/07/2016 10:16

Assunto: RE: envio de documentos

Bom dia,

Venho por este meio confirmar receção de documentos e solicitar também o envio do seu Bilhete de identidade ou cartão de cidadão enquanto representante da utente.

Obrigado.

Atenciosamente;
Susana Dias
(A Assistente Social)

Assistente Social – Aces Lisboa Ocidental e Oeiras – URAP
USF de Santo Condestável (2ª e 4ª feiras)
Telf.: 21 3913220/ 33 Fax.: 21 3950432
UCC Consigo (3ª e 5ªfeira ) UCSP Alcântara (6º feira)
Telef:.21 3630130/9 Fax:. 21 3631476

A minha resposta:

Data: ter 19/07/2016 12:10
Para: ‘Susana Isabel Cordeiro’ <scordeiro@csscondestavel.min-saude.pt>

Assunto: RE: envio de documentos

Boa tarde

Informo que este processo está encerrado com o falecimento a 18 do corrente da D. Albertina Gomes.

Infelizmente, é este o País que temos e um Serviço Nacional de “Saúde” que não se encontra ao alcance de todos, embora se encontre consignado na Constituição da República Portuguesa (que penso ainda estar em vigor):

Constituição da República Portuguesa (CRP)

Parte I Direitos e deveres fundamentais

Título III Direitos e deveres económicos, sociais e culturais

Capítulo II Direitos e deveres sociais

Artigo 64.º Saúde

1 – Todos têm DIREITO à protecção da saúde e o DEVER de a defender e promover.

2 – O direito à protecção da saúde é realizado:
a) Através de um Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.

3 – Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;
c) Orientar a sua acção para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos;
d) Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade;
e) Disciplinar e controlar a produção, a distribuição, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico;
f) Estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.

4 – O Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem gestão descentralizada e participada.
É tarefa fundamental do Estado promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais (cfr. CRP, art.º 9.º alínea d)).

Constituição da República Portuguesa (CRP)

Parte I Direitos e deveres fundamentais

Título III Direitos e deveres económicos, sociais e culturais

Capítulo II Direitos e deveres sociais

Artigo 63.º Segurança social e solidariedade

1 – Todos têm direito à segurança social.

2 – Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais beneficiários.

3 – O sistema de segurança social protege os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho.

4 – Todo o tempo de trabalho contribui, nos termos da lei, para o cálculo das pensões de velhice e invalidez, independentemente do sector de actividade em que tiver sido prestado.

5 – O Estado apoia e fiscaliza, nos termos da lei, a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e de outras de reconhecido interesse público sem carácter lucrativo, com vista à prossecução de objectivos de solidariedade social consignados, nomeadamente, neste artigo, na alínea b) do n.º 2 do artigo 67.º, no artigo 69.º, na alínea e) do n.º 1 do artigo 70.º e no artigo 71.º e artigo 72.º.

Estatuto do Serviço Nacional de Saúde – Decreto-Lei n.º 11/1993, de 15 de Janeiro, alterado por Decreto-Lei n.º 223/2004, de 3 de Dezembro, Decreto-Lei n.º 185/2002, de 20 de Agosto, Decreto-Lei n.º 68/2000, de 26 de Abril, Decreto-Lei n.º 157/1999, de 10 de Maio, Decreto-Lei n.º 156/1999, de 10 de Maio, Decreto-Lei n.º 401/1998, 17 de Dezembro, Decreto-Lei n.º 97/1998, de 18 de Abril, Decreto-Lei n.º 53/1998, de 11 de Março, e pela Declaração de Rectificação n.º 42/1993, de 31 de Março.

Tal como muitos outros “direitos económicos, sociais e culturais”, na Constituição da República Portuguesa (CRP), também o direito à protecção da saúde comporta duas vertentes: uma, de natureza negativa, que consiste no direito a exigir do Estado (ou de terceiros) que se abstenham de qualquer acto que prejudique a saúde; outra, de natureza positiva, que significa o direito às medidas e prestações estaduais visando a prevenção e o tratamento de doenças.

A universalidade confere a todos os cidadãos e todas as cidadãs o direito de recorrerem ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), não impedindo naturalmente a existência e o recurso aos serviços particulares e/ou ao sector privado de saúde.

A gratuitidade tendencial significa rigorosamente que as prestações de saúde não estão em geral sujeitas a qualquer retribuição ou pagamento por parte de quem a elas recorra, pelo que as eventuais taxas (v. g., as chamadas “taxas moderadoras”) são constitucionalmente ilícitas se, pelo seu montante ou por abrangerem as pessoas sem recursos, dificultarem o acesso a esses serviços.

Não existe apenas um DIREITO à protecção da saúde mas também um DEVER de a promover e defender. Esse dever dos cidadãos tem por objecto, quer a própria saúde, quer a dos outros (“saúde pública”).

Como dever jurídico que é, pode fundamentar obrigações legais de fazer (por ex., obrigatoriedade de vacinação) ou de não fazer (por exemplo, proibição de fumar em locais públicos, proibição de conduzir sob influência do álcool, proibição de conduzir sob a influência de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas, propagar doença contagiosa), que podem ser garantidos penalmente (cfr. artigos. 272.° e seguintes, do Código Penal).

Relembro a importância fundamental do princípio do não retrocesso social. O reconhecimento do direito à saúde – uma conquista social -, previsto na nossa Lei Fundamental, uma vez adquirido, alcançado e conquistado, jamais deve ser sujeito à subtracção discricionária e oportunística disposição do legislador, só assim se assegura o princípio da protecção da confiança e da segurança dos cidadãos.

E aqui, no âmbito dos direitos sociais em geral e do DIREITO À SAÚDE em particular, também entramos nos meios de defesa não jurisdicionais: DIREITO DE RESISTÊNCIA, DIREITO DE PETIÇÃO, DIREITO A UM PROCEDIMENTO JUSTO, DIREITO À AUTODETERMINAÇÃO INFORMACIONAL e o DIREITO AO ARQUIVO ABERTO, direitos fundamentais, que justificam plenamente apreciação sensata e muito mais alargada.

Todo este arrazoado de boas intenções, não passam disso…

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4: 21.Mai.2016

Ontem, fui contactado pela dra. Marisa Mendes, assistente social da Associação Alzheimer, que me informou que os custos da higiene diária de segunda a sexta-feira, custariam 300 euros.

Esta higiene consta de tirar a fralda, limpeza da zona, colocação de nova fralda e levá-la para a sala, além dos banhos que entendesse precisar.

Considero uma exorbitância esta verba em ordem ao meu rendimento e a mesma encontra-se fora do meu orçamento familiar. Contudo, não posso deixar passar a minha indignação pelo facto de os cálculos para chegarem a esta verba, não contemplarem as despesas com água, luz, gás, renda da casa, alimentação, farmácia, transportes, impostos (IRS) e outras, pois nada disto é de borla e contam para a coluna do DEVE se levarmos a coisa para termos contabilísticos.

É que o orçamento familiar é um género de pequena empresa onde existem, na mesma, duas colunas: DEVE e HAVER. Na coluna HAVER, incluem-se os recebimentos/receitas, neste caso as pensões de reforma; na coluna DEVE, incluem-se TODAS as despesas (e não apenas algumas) que a família tem.

E, contabilisticamente, se a coluna do DEVE é superior à coluna do HAVER, algo está errado porque ninguém pode pagar o que não possui. Se a coluna do HAVER é superior à coluna do DEVE, existe saldo positivo e, de acordo com o volume desse saldo, pode ou não existir espaço de manobra para o aplicar.

Mas infelizmente e contra o artº. 64º. da Constituição da República Portuguesa, contra todos os princípios de humanismo, quem tem dinheiro pode pagar a sua saúde e quem não tem, vai morrendo lenta e inexoravelmente por falta dos cuidados para manter, nos níveis considerados dignos, a sua saúde ou os tratamentos e assistência que necessita.

Nesta conformidade, vou ter de continuar a tratar da Tina, porque não posso aceitar o preço destes serviços que se chamam pomposamente de Cuidados Continuados Domiciliários, até chegar a um ponto em que também vou necessitar que alguém cuide de mim. E aí, vai ser o fim da picada…

Em ordem à Tina, hoje verifiquei que a mão direita quase que não mexe e, quando está sentada, não tem força para a levantar. O vídeo mostra a situação.

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