18.Mar.2019 – 32 meses

Faz hoje trinta e dois meses que nos deixaste para sempre e a Saudade não sai dos nossos corações. Lembrar-te-emos sempre enquanto formos vivos. Descansa em Paz meu amor.

 

322: 15.Mar.2019

Dia de visita à nossa querida Tina, hoje com um raminho de flores super-lindo.

 

Cuidadores informais: “Em que é que me vão formar depois de 23 anos a cuidar das minhas filhas?”

Iniciativas legislativas do governo e dos diferentes partidos são discutidas hoje no parlamento. Cuidadores não querem projectos-piloto e torcem o nariz a formações. Querem apoios concretos e imediatos para quem se dedica aos seus

© Reinaldo Rodrigues/Global Imagens

Helena Lagartinho vai respondendo às perguntas em andamento. Está na faculdade, onde foi buscar uma das duas filhas gémeas. Ambas são estudantes universitárias. “A Rita está a tirar Artes e Humanidades e a Inês está a tirar Estudos Portugueses”. Ambas têm paralisia cerebral. Mas nunca deixou que essa condição as impedisse de sonhar alto. “Se as tivesse institucionalizado, acha que estavam na faculdade? Que tinham feito estes cursos”? Não espera pela resposta. “A Rita é atleta paraplégica de grau 1, de equitação adaptada. Já é internacional. A Inês publicou um livro. Tudo isto porque estão a ser criadas por mim”.

Desde que as filhas nasceram, há 23 anos, Helena pôs de lado a profissão de contabilista e passou a dedicar-se a elas a tempo inteiro. É cuidadora informal. Uma actividade que, segundo as associações, ocupa integralmente ou a tempo parcial cerca de 800 mil portugueses – o governo aponta para 230 mil, fazendo as contas com base nas pessoas que recebem complementos por dependência. Mas para a qual não existe qualquer enquadramento específico.

Esta sexta-feira, no Parlamento, na sequência de uma petição lançada há quase dois anos, serão discutidas propostas do governo e dos diferentes partidos no sentido de reconhecer esta actividade e lhe conceder alguns direitos. Quase todas contemplam a introdução de algum tipo de subsídio – pelo menos para os cuidadores a tempo inteiro – e reconhecem o direito ao descanso e à protecção no trabalho dos cuidadores, bem como o acesso em condições privilegiadas a serviços de saúde.

Mas todas ficam aquém das expectativas destes cuidadores. A começar pela proposta do governo, anunciada pelos ministérios da Saúde e da Segurança Social, que prevê a realização de projectos-piloto em cerca de 15% do território nacional e acções de formação dos cuidadores antes que as novas medidas sejam generalizadas, o que deverá atirar a sua aplicação concreta para 2020 ou 2021.

“Quando ouvimos o governo falar na capacitação e na formação dos cuidadores, pergunto em que é que me vão formar ou capacitar depois de 23 anos“, questiona Helena, que tem outras três filhas, já adultas, todas criadas unicamente com o salário do marido. “O cuidador informal é abandonado e marginalizado e ainda nos olham como se quiséssemos viver à conta das pessoas de que cuidamos”, lamenta. “Acompanhei as minhas filhas todo este tempo, não tenho carreira contributiva. O que é que vão fazer aos cuidadores que deixaram tudo, como é o meu caso”?

Das propostas dos partidos em cima da mesa, as que mais agradam a esta mãe são as “do Bloco de Esquerda e do CDS”, nomeadamente por contemplarem apoios concretos para os cuidadores a tempo inteiro, entre os 300 e os 380 euros. “Uma família de acolhimento que receba em casa uma pessoa normal recebe 380 euros do Estado. Se acolher uma pessoa deficiente, dão-lhe 600 euros. Eu sou cuidadora das minhas filhas e o Estado não me dá nada”, diz, estimando que terá poupado ao Estado “talvez meio milhão de euros” por ter decidido criar as filhas em vez de as entregar a uma instituição, à qual a Segurança Social pagaria “1040 euros por mês por cada uma”.

Reformada “compulsivamente”…por cuidar da irmã e dos sobrinhos

” É verdade que é a primeira que vemos um projecto do governo sobre esta matéria”, reconhece Maria dos Anjos Catapirra. “Mas está muito aquém das nossas expectativas. Não são os projectos-piloto que nos vão ajudar a mudar o quer que seja. Do que precisamos é de legislação aprovada e aplicada”, diz, apontando também a preferência para o projecto de outro partido. neste caso do CDS: “Além daquilo que acreditamos que seja viável, que é o descanso para o cuidador e o subsídio, defendem medidas laborais, inclusivamente, que nem estão contempladas no projecto do governo. E também apoios e benefícios fiscais”.

Helena aponta também a importância de proteger os cuidadores a tempo parcial ou temporários no emprego. “Se tivesse a possibilidade de conciliar o cuidado dos meus filhos com um período de trabalho, por exemplo da parte da manhã, mas sem perda de remuneração, seguramente que o que faria”, diz.

Maria dos Anjos era profissional de seguros quando começou a tratar da irmã, mãe solteira, que desenvolveu Alzheimer precoce. Acompanhou a irmã até à morte desta e tomou conta dos sobrinhos até estes se tornarem adultos e ganharem a sua independência. No processo, perdeu o emprego. “Acabei por ter uma reforma compulsiva pelas ausências, por tudo aquilo de que precisava e não compreendiam que precisava.

Foi uma das subscritoras da primeira petição a dar entrada no parlamento, para tentar mudar as coisas.

A proposta do PSD, que prevê um estatuto do cuidador informal, centra atenções nas pessoas que tratam de familiares idosos. Mas para Maria dos Anjos esse é um dos erros comuns: acreditar-se que estes são os únicos a precisar de cuidados permanentes.”Hoje em dia tomo conta da minha mãe, que é invisual e tem 87 anos. Mas nem mais ou menos é semelhante situação pela qual passei”, garante. “Tratar de uma pessoa com demência é completamente diferente. Por isso é que hoje em dia nem me considero uma cuidadora. Sou filha dela e tomo conta dela. As pessoas com demência perdem toda a remuneração que tinham – a minha irmã, porque era jovem, nem reforma tinha. Tinha filhos menores, era mãe solteira, e não tinha qualquer apoio estatal”.

Hoje, já não pede medidas a pensar em si mas, sobretudo, “nas imensas pessoas em situação de pobreza que não têm condições para aguardar por projectos-piloto”. Mas confessa estar pouco optimista. “Acredito que vai baixar tudo à comissão e vamos adiar esta história toda por mais algum tempo. É o que andamos a fazer há dois anos: adiar”.

Diário de Notícias
Pedro Sousa Tavares
08 Março 2019 — 08:20

320: Cuidadores informais reclamam junto ao parlamento estatuto próprio

O parlamento debate esta sexta-feira medidas do Governo e projectos do PSD, CDS e PAN para apoiar os cuidadores informais, cuja associação se manifesta em frente à Assembleia para defender um estatuto próprio.

Manifestação dos cuidadores informais frente ao Parlamento
© RODRIGO ANTUNES/LUSA

A presidente da Associação Nacional dos Cuidadores Informais, Sofia Figueiredo, disse à agência Lusa que “fica aquém” do que reclamam os cuidadores o que a proposta de lei do Governo traz, que são apenas “medidas de apoio” e não um estatuto que cubra “tudo da área laboral, social e saúde”.

“O Governo apresenta medidas, mas precisamos de um estatuto”, afirmou Sofia Figueiredo, criticando o executivo por não ir ao ponto de criar um estatuto, mas também o projecto de lei do PSD, que dá um prazo de 90 dias para a regulamentação das medidas nele preconizadas.

Além da proposta de lei do Governo, serão discutidos esta sexta-feira projectos de lei do PSD, CDS-PP e PAN, todos centrados na ideia de criação de um estatuto, benefícios sociais e fiscais por essa ocupação, regimes laborais especiais e direito a descanso com recurso a unidades de cuidados continuados para a pessoa dependente.

No caso da proposta do Governo, dá-se um prazo de “120 dias” para “identificação das medidas legislativas, administrativas ou outras que se revelem necessárias ao reforço da protecção laboral dos cuidados informais não principais, designadamente à adequação de normas já existentes relativas ao regime laboral que lhes é aplicável”, o que para Sofia Figueiredo significa “deixar tudo para a próxima legislatura”.

O Governo prevê ainda a atribuição de um subsídio de apoio a atribuir pelo “subsistema de solidariedade mediante condição de recursos”, mas Sofia Figueiredo apontou que para esse cálculo são contados “os rendimentos do agregado familiar e não as despesas”.

A associação critica ainda a lógica de a proposta do executivo funcionar através de “projectos-piloto”, que deixam de fora parte do universo dos cuidadores.

Os cuidadores informais queriam que fosse criada uma carreira contributiva para os cuidadores, que prestam assistência a familiares, crianças ou idosos, que precisam de cuidados permanentes, o que os leva a terem de deixar empregos e dedicar quase todo o seu tempo e recursos.

Por não descontarem para a segurança social, os anos passados como cuidadores informais não contam para a reforma, pelo que a associação reclama a criação de “uma carreira contributiva”.

A proposta do Governo, de o cuidador poder aceder ao Regime de Seguro Social Voluntário, em que faz as suas próprias contribuições, não resulta no caso dos “que têm carência económica e que se desempregaram”, porque têm que escolher entre “ter dinheiro para comer ou pagar a contribuição”.

Na convocatória para a manifestação, a associação pede que quem aderir leve balões rosa e azul para representar as crianças de que cuida ou balões roxos, no caso de adultos.

“Nós queremos apelar à criação de um estatuto, que não é uma questão partidária, defendemos que se unam esforços para fazer um estatuto que vá ao encontro das nossas necessidades”, afirmou.

“Já esperámos tempo demais, é tempo de legislar e não de adiar”, reforçou.

Diário de Notícias
Lusa
08 Março 2019 — 11:35

319: 08.Mar.2019

O dia amanheceu solarengo e aproveitámos e fomos fazer-te uma visita. Ontem, já aqui tinha deixado uma imagem das flores que a Vera comprou e hoje ficam as imagens finais. As flores, dado a chuva e vento forte que tivemos nos últimos dias, deram cabo das flores que tínhamos colocado na última visita e o cemitério era uma desolação com jarras de flores em pedra deitadas ao chão, flores arrancadas aos vasos…

 

318: 07.Mar.2019

Ainda não conseguimos fazer-te uma visita devido ao mau tempo, mas não nos esquecemos… A Vera comprou um raminho de flores brancas, apenas estamos à espera que a chuva pare.

 

317: 25.Fev.2019

Dia de visita, mas hoje não tivemos hipótese de te comprar umas florzinhas, querida. Problemas financeiros devido ao ROUBO que o xuxa pseudo-“socialista” do actual governo, carrasco dos pobres e benemérito dos ricos, infligiu no pagamento do IRS de 2017 – já não te encontravas entre nós -, no DOBRO de quando eras viva e tínhamos as nossas pensões de reforma por inteiro, resolveu castigar-me por ter ficado viúvo…

O que desejo a toda essa escumalha política é que tenham o castigo mais severo que merecem, embora a “justiça” neste país seja direccionada apenas em favor dos ricos.

O inferno deste pagamento de 150 euros mensais desde Setembro do ano passado, só vai acabar no final de Março (7 prestações). Feitas as contas, o ano passado não tive nem subsídio de férias nem de natal.

A saúde também não tem andado boa – e teria de estar com todas estas merdas? -, quebras de tensão com perda de consciência, o que vale é que tenho recuperado bem e a Vera com os valores glicémicos a descer e a subir…

Mas a Vera tirou do raminho da semana passada umas 3 flores que estavam mais murchas, mudou a água do copo e ficaste com um raminho jeitoso.

 

316: 19.Fev.2019

Dia de visita à campa da nossa querida, com muito Sol e até calor. As flores da semana passada estavam quase todas boas, mercê da chuva que tem caído nos últimos dias e o novo raminho que a Vera levou compôs melhor o conjunto.

 

18.Fev.2019 – 31 meses

Faz hoje trinta e um meses que nos deixaste para sempre e a Saudade não sai dos nossos corações. Lembrar-te-emos sempre enquanto formos vivos. Descansa em Paz meu amor.

 

314: 12.Fev.2019

Hoje, a visita foi apenas da Vera dado que estou adoentado e sem disposição para ir para a rua. Mas a Vera levou um raminho de flores para juntar às da semana passada que, pelas imagens, ainda estavam viçosas e foi a operadora de imagem.