49: 29.Jul.2016

0-lutotransp200Hoje, deu-me para o sentimento, aliás, o sentimento não me tem largado desde o passado dia 17!

Alguns dirão: mas então o tipo anda a chorar a morte da esposa e anda a cantar todo satisfeito? Eu respondo:

Existiram ao longo dos meus 70 anos e 4 meses de vida, dois momentos extremamente dramáticos e que mesmo vivesse 200 anos, nunca os esqueceria: foram eles a morte do meu querido Pai, aos 16 anos de idade, e a morte de minha esposa Tina no passado dia 17 de Julho.

Embora a minha profissão não fosse a de músico, era este um hobby que tinha desde os 10 anos de idade (1956), altura em que comecei a pisar os palcos das Colectividades de Recreio lisboetas, no tempo em que nem Beatles, nem Shadows – com Cliff Richards – existiam como grupos de música pop.

No dia em que fui enterrar o meu Pai, segui directamente do mesmo cemitério onde a Tina foi a enterrar, para actuar num Baile de uma Colectividade em Linda-a-Velha. Não estava nas melhores condições psicológicas mas os meus camaradas de Conjunto ajudaram-me e deram-me a força necessária para fazer as quatro horas de actuação, como vocalista, tempo que durava uma “matinée” na época.

Escusado será dizer que a morte de meu Pai foi tão sentida, que ainda sinto-a como tivesse acontecido hoje. E os dois momentos dramáticos que acima referenciei, foram precisamente o ruído da terra a cair sobre os caixões. Quando isso aconteceu no momento da Tina descer à Terra, os sons chocaram-se no meu cérebro e a dor foi tremendamente aterradora.

Por isso e apesar de não ter alegria nem disposição para nada, não queria deixar de manifestar uma singela homenagem quer a meu Pai – que adorava a Tina -, quer à Tina, pelo texto que a seguir vou transcrever e que também deixei na minha página do Facebook.

Vou resumir a inserção neste espaço do vídeo que editei há pouco. Durante 50 anos (comecei em 1956) fui vocalista de vários grupos de baile. Foi na noite de Santo António (12 de Junho de 1964, num baile de Arraial dos Santos Populares, no Mercado de Algés) que unimos os nossos destinos durante 52 anos. Foi a cantar que a Tina se apaixonou por mim e eu retribui da mesma forma porque existiu química e, quando isso acontece, não existe nada, mas mesmo nada, que separe dois seres.

Nunca mais nos separámos até ao passado dia 17 de Julho em que ela definitivamente me deixou, sem um queixume, mas no maior sofrimento. Espero que agora se encontre em Paz, embora a dor teime em não sair de mim por esta separação.

Este vídeo contém uma canção de nome Amor que fazia parte do meu repertório musical e está cantada por mim, numa gravação ao vivo através de um gravador de cassetes nada profissional, daí a fraca qualidade de som. Apenas inseri o playback de imagem e escolhi esta canção porque era uma das preferidas da Tina e diz muito sobre o nosso amor.

Meu Amor, onde quer que estejas, dedico-te a tua canção preferida, como o fazia nos bailes onde sempre me acompanhaste.

A gravação original foi feita ao vivo numa Colectividade de Recreio onde actuámos e o Quarteto para Baile chamava-se Millennium2000, com o Zé Vasconcelos nos sintetizadores, o Rui nas guitarras eléctricas, o Pedro no baixo/vozes e eu na voz e na bateria.

Um beijo minha querida.

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48: 28.Jul.2016

0-lutotransp200Hoje, enviei o seguinte e-mail para o Coordenador da USF Santo Condestável:

Data: qui 28/07/2016 20:18
Para: condestavel.sec@csscondestavel.min-saude.pt

Assunto: Pedido de mudança de médico de família

A/c do Exmo. Coordenador da USF Santo Condestável

Exmo. Senhor

Eu, abaixo assinado, Francisco Gomes, utente do SNS XXXXXXXXX, solicito a mudança do actual médico de família (Dra. Irene Martins), de acordo com o disposto no

Artigo 15.º

Livre escolha pelo doente

1 — O doente tem o direito de escolher livremente o seu médico, e este o dever de respeitar e defender tal direito.
2 — O médico assistente deve respeitar o direito do doente a mudar de médico, devendo antecipar-se, por dignidade profissional, à menor suspeita de que tal vontade exista.

Publicado no Diário da República, 2.ª série — N.º 139 — 21 de Julho de 2016

Com os melhores cumprimentos,

F Gomes

Não mencionei motivos porque penso que o que se encontra estipulado na Lei, não me obriga a fazê-lo, mas se for preciso e solicitado, enviarei todos os motivos e razões, juntamente com as imagens dos últimos dias da Tina, para justificar este pedido de mudança de médico de família.

Mais uma vez refiro o juramento de Hipócrates que TODOS os médicos fazem quando terminam o seu curso, entre eles:

Exercerei a minha arte com consciência e dignidade.
A Saúde do meu Doente será a minha primeira preocupação.

Faço estas promessas solenemente, livremente e sob a minha honra.

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47: 26.Jul.2016

0-lutotransp200

Em ordem à queixa apresentada ao cemitério da Ajuda, recebi hoje a seguinte resposta:

De: dmevae.dgc <dmevae.dgc@cm-lisboa.pt>
Data: ter 26/07/2016 15:30
CC: cemiterio.ajuda <cemiterio.ajuda@cm-lisboa.pt>; Sara Goncalves (DMEVAE/DGC) <sara.goncalves@cm-lisboa.pt>

Assunto: Queixa – Cemitério da Ajuda

Exmº Senhor
Francisco Gomes

No seguimento do email infra, o qual mereceu a nossa melhor atenção, informo:

Após deslocação do Encarregado do Cemitério ao local, sepultura temporária nº 3659/17, constatou que as referidas percintas, já não se encontravam em cima da sepultura.

Nos períodos entre funerais, é normal as percintas ficarem junto às últimas sepulturas ocupadas dentro da secção de enterramento, para serem manuseadas nos próximos funerais, embora não devessem certamente ficar sobre as referidas sepulturas.

De forma alguma é pretensão destes serviços faltar ao respeito a qualquer falecido inumado nos Cemitérios Municipais ou aos seus familiares.

Pelos constrangimentos causados, apresentamos as nossas desculpas.

Com os melhores cumprimentos

Sara Gonçalves
Chefe de Divisão
Câmara Municipal de Lisboa
Direção Municipal da Estrutura Verde, do Ambiente e Energia
Divisão de Gestão Cemiterial
Cemitério de Carnide – Rua Rio Zêzere | 1600-755 LISBOA
Tel. (+351) 218 172 375 | Fax (+351) 218 171 328
http://www.cm-lisboa.pt| sara.goncalves@cm-lisboa.pt

Ai que respondi:

Data: ter 26/07/2016 15:56
Para: ‘dmevae.dgc’ <dmevae.dgc@cm-lisboa.pt>
CC: cemiterio.ajuda@cm-lisboa.pt

Assunto: Queixa – Cemitério da Ajuda

Boa tarde

Agradeço o vosso e-mail e aceito o pedido de desculpas.

Obrigado,

F Gomes

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46: 25.Jul.2016

0-lutotransp200Ao ponto a que chegou o Serviço Nacional de “Saúde” que até cobra taxas “moderadoras” a pensos de feridas infectadas. Deve ser para “moderar” as feridas infectadas e elas não proliferarem tanto como aconteceu com a Tina…

Fui hoje ao Centro de Saúde (USF St. Condestável) para uma consulta dado que apareceu-me uma irritação na pele e fui confrontado com um valor a pagar de DEZ EUROS, descontados 4 euros de dedução conforme circular da ACSS, relativos a PENSOS A LESÃO COM INFECÇÃO.

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TaxasModeradorasFeridas

Mantendo o que sempre afirmei desde o início do agravamento do estado geral da Tina, que NENHUM MÉDICO que a assistiu (dois médicos de família e dois psiquiatras), a quiseram internar a fim de evitar que ela chegasse ao lastimável e escandaloso estado a que chegou. Nem a um animal selvagem se trata desta maneira!

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45: 24.Jul.2016

0-lutotransp200Sete dias passaram após o falecimento da Tina e ainda não consegui digerir a situação. E talvez nunca conseguirei digeri-la por tudo o que não só ela sofreu enquanto viva, como o descalabro psicológico que se abateu sobre mim e a Vera.

Dizem que a saudade sobrepõe-se à dor e à perda de um ente querido, mas este paradigma não se aplicará no meu caso. Porque vivo numa sociedade selvática e desumana, onde a lei, a ordem e o poder estão do lado dos mais fortes, seja em que área for, espezinhando todos aqueles que se encontram nos patamares inferiores dessa sociedade.

Não obtive qualquer ajuda e/ou apoio por parte dos médicos que assistiram a Tina, enquanto viva, nomeadamente na luta contínua que tive em pedir o seu internamento hospitalar dado que, não sendo médico e considerando não ser necessário ter um canudo de medicina e ter feito o hipócrita juramento de Hipócrates, constatar que o lugar da Tina NUNCA seria no domicílio mas numa unidade hospitalar onde teria todos os cuidados de que necessitava.

E esses cuidados foram-me sempre NEGADOS porque eram exigidos valores monetários fora do alcance das minhas possibilidades financeiras, valores esses que erradamente eram calculados em bases que não correspondiam à realidade.

Revendo os episódios mais recentes:

01.- Enviei o seguinte e-mail ao ex-médico de família da USF Descobertas, dr. José Gomes, que nos acompanhou durante anos naquela unidade de saúde:

Data: seg 18/07/2016 03:52
Para: ‘usf.descobertas@arslvt.min-saude.pt’

Assunto: Informação

A/c do dr. José Gomes

Informo que a sua ex-paciente e minha esposa, Maria Albertina Martins Chadeca dos Santos Gomes, faleceu hoje no hospital S. Francisco Xavier.

Não foi enviada qualquer resposta a este e-mail até à data.

02.- Na véspera da Tina falecer, enviei este e-mail à médica de família da USF Santo Condestável, dra. Irene Martins:

Data: dom 17/07/2016 22:34 (a Tina faleceu horas depois)
Para: condestavel.sec@csscondestavel.min-saude.pt

Assunto: Informação

URGENTE

A/c de:
Dra. Irene Martins
Serviço de Enfermagem

A D. Albertina Gomes teve hoje de ir novamente à urgência de S. Francisco Xavier devido a sonda ter entupido, apesar de todos os cuidados necessários na administração da sopa.

Uma sopa de legumes finamente triturada e que deveria ter levado, despercebidamente, uma pequena folha de legume porque o líquido deixou de passar.

Telefonámos para o INEM que disse irem enviar os técnicos para avaliarem a situação. Chegados e feita a avaliação, fomos informados que não dispunham de meios para trocar a sonda e tinham de levar a D. Albertina para o hospital.

Quando chegámos a S. Francisco Xavier, ainda estava à espera de ser observada e resumindo a parte final, foram feitas novas análises, penso que também um raios-X e foi-lhe diagnosticada infecção urinária, estiveram a aspirar secreções e, passada cerca de uma hora, fomos chamados ao médico que a assistiu e foi-nos dito que a D. Albertina encontrava-se em falência respiratória, que estavam a fazer todos os possíveis mas que o seu tempo estava a terminar.

Como as Sras. Enfermeiras ficaram de passar por cá, amanhã de manhã (segunda-feira), serve o presente apenas para alertar da situação dado que estou à espera de um telefonema do hospital sobre o desfecho deste episódio.

Obrigado,

Até à data não recebi qualquer resposta nem se dignaram responder a este e-mail.

03.- E-mail recebido da assistente social da USF Santo Condestável:

De: Susana Isabel Cordeiro <scordeiro@csscondestavel.min-saude.pt>
Data: ter 19/07/2016 10:16

Assunto: RE: envio de documentos

Bom dia,

Venho por este meio confirmar receção de documentos e solicitar também o envio do seu Bilhete de identidade ou cartão de cidadão enquanto representante da utente.

Obrigado.

Atenciosamente;
Susana Dias
(A Assistente Social)

Assistente Social – Aces Lisboa Ocidental e Oeiras – URAP
USF de Santo Condestável (2ª e 4ª feiras)
Telf.: 21 3913220/ 33 Fax.: 21 3950432
UCC Consigo (3ª e 5ªfeira ) UCSP Alcântara (6º feira)
Telef:.21 3630130/9 Fax:. 21 3631476

A minha resposta:

Data: ter 19/07/2016 12:10
Para: ‘Susana Isabel Cordeiro’ <scordeiro@csscondestavel.min-saude.pt>

Assunto: RE: envio de documentos

Boa tarde

Informo que este processo está encerrado com o falecimento a 18 do corrente da D. Albertina Gomes.

Infelizmente, é este o País que temos e um Serviço Nacional de “Saúde” que não se encontra ao alcance de todos, embora se encontre consignado na Constituição da República Portuguesa (que penso ainda estar em vigor):

Constituição da República Portuguesa (CRP)

Parte I Direitos e deveres fundamentais

Título III Direitos e deveres económicos, sociais e culturais

Capítulo II Direitos e deveres sociais

Artigo 64.º Saúde

1 – Todos têm DIREITO à protecção da saúde e o DEVER de a defender e promover.

2 – O direito à protecção da saúde é realizado:
a) Através de um Serviço Nacional de Saúde (SNS) universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito;
b) Pela criação de condições económicas, sociais, culturais e ambientais que garantam, designadamente, a protecção da infância, da juventude e da velhice, e pela melhoria sistemática das condições de vida e de trabalho, bem como pela promoção da cultura física e desportiva, escolar e popular, e ainda pelo desenvolvimento da educação sanitária do povo e de práticas de vida saudável.

3 – Para assegurar o direito à protecção da saúde, incumbe prioritariamente ao Estado:
a) Garantir o acesso de todos os cidadãos, independentemente da sua condição económica, aos cuidados da medicina preventiva, curativa e de reabilitação;
b) Garantir uma racional e eficiente cobertura de todo o país em recursos humanos e unidades de saúde;
c) Orientar a sua acção para a socialização dos custos dos cuidados médicos e medicamentosos;
d) Disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina, articulando-as com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), por forma a assegurar, nas instituições de saúde públicas e privadas, adequados padrões de eficiência e de qualidade;
e) Disciplinar e controlar a produção, a distribuição, a comercialização e o uso dos produtos químicos, biológicos e farmacêuticos e outros meios de tratamento e diagnóstico;
f) Estabelecer políticas de prevenção e tratamento da toxicodependência.

4 – O Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem gestão descentralizada e participada.
É tarefa fundamental do Estado promover o bem-estar e a qualidade de vida do povo e a igualdade real entre os portugueses, bem como a efectivação dos direitos económicos, sociais, culturais e ambientais, mediante a transformação e modernização das estruturas económicas e sociais (cfr. CRP, art.º 9.º alínea d)).

Constituição da República Portuguesa (CRP)

Parte I Direitos e deveres fundamentais

Título III Direitos e deveres económicos, sociais e culturais

Capítulo II Direitos e deveres sociais

Artigo 63.º Segurança social e solidariedade

1 – Todos têm direito à segurança social.

2 – Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais beneficiários.

3 – O sistema de segurança social protege os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho.

4 – Todo o tempo de trabalho contribui, nos termos da lei, para o cálculo das pensões de velhice e invalidez, independentemente do sector de actividade em que tiver sido prestado.

5 – O Estado apoia e fiscaliza, nos termos da lei, a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e de outras de reconhecido interesse público sem carácter lucrativo, com vista à prossecução de objectivos de solidariedade social consignados, nomeadamente, neste artigo, na alínea b) do n.º 2 do artigo 67.º, no artigo 69.º, na alínea e) do n.º 1 do artigo 70.º e no artigo 71.º e artigo 72.º.

Estatuto do Serviço Nacional de Saúde – Decreto-Lei n.º 11/1993, de 15 de Janeiro, alterado por Decreto-Lei n.º 223/2004, de 3 de Dezembro, Decreto-Lei n.º 185/2002, de 20 de Agosto, Decreto-Lei n.º 68/2000, de 26 de Abril, Decreto-Lei n.º 157/1999, de 10 de Maio, Decreto-Lei n.º 156/1999, de 10 de Maio, Decreto-Lei n.º 401/1998, 17 de Dezembro, Decreto-Lei n.º 97/1998, de 18 de Abril, Decreto-Lei n.º 53/1998, de 11 de Março, e pela Declaração de Rectificação n.º 42/1993, de 31 de Março.

Tal como muitos outros “direitos económicos, sociais e culturais”, na Constituição da República Portuguesa (CRP), também o direito à protecção da saúde comporta duas vertentes: uma, de natureza negativa, que consiste no direito a exigir do Estado (ou de terceiros) que se abstenham de qualquer acto que prejudique a saúde; outra, de natureza positiva, que significa o direito às medidas e prestações estaduais visando a prevenção e o tratamento de doenças.

A universalidade confere a todos os cidadãos e todas as cidadãs o direito de recorrerem ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), não impedindo naturalmente a existência e o recurso aos serviços particulares e/ou ao sector privado de saúde.

A gratuitidade tendencial significa rigorosamente que as prestações de saúde não estão em geral sujeitas a qualquer retribuição ou pagamento por parte de quem a elas recorra, pelo que as eventuais taxas (v. g., as chamadas “taxas moderadoras”) são constitucionalmente ilícitas se, pelo seu montante ou por abrangerem as pessoas sem recursos, dificultarem o acesso a esses serviços.

Não existe apenas um DIREITO à protecção da saúde mas também um DEVER de a promover e defender. Esse dever dos cidadãos tem por objecto, quer a própria saúde, quer a dos outros (“saúde pública”).

Como dever jurídico que é, pode fundamentar obrigações legais de fazer (por ex., obrigatoriedade de vacinação) ou de não fazer (por exemplo, proibição de fumar em locais públicos, proibição de conduzir sob influência do álcool, proibição de conduzir sob a influência de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas, propagar doença contagiosa), que podem ser garantidos penalmente (cfr. artigos. 272.° e seguintes, do Código Penal).

Relembro a importância fundamental do princípio do não retrocesso social. O reconhecimento do direito à saúde – uma conquista social -, previsto na nossa Lei Fundamental, uma vez adquirido, alcançado e conquistado, jamais deve ser sujeito à subtracção discricionária e oportunística disposição do legislador, só assim se assegura o princípio da protecção da confiança e da segurança dos cidadãos.

E aqui, no âmbito dos direitos sociais em geral e do DIREITO À SAÚDE em particular, também entramos nos meios de defesa não jurisdicionais: DIREITO DE RESISTÊNCIA, DIREITO DE PETIÇÃO, DIREITO A UM PROCEDIMENTO JUSTO, DIREITO À AUTODETERMINAÇÃO INFORMACIONAL e o DIREITO AO ARQUIVO ABERTO, direitos fundamentais, que justificam plenamente apreciação sensata e muito mais alargada.

Todo este arrazoado de boas intenções, não passam disso…

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44: 22.Jul.2016

0-lutotransp200Hoje, enchi-me de coragem e fui fazer uma visita à minha querida, na companhia da Vera. As flores já estavam murchas mas com este calor era de esperar.

Espero que o arranjo da campa não demore muito para poder ter sempre flores viçosas à sua cabeceira. Não que isso suavize a minha profunda dor, mas a Tina adorava flores, especialmente as rosas. De onde ela estiver, ficará satisfeita por ver que as flores continuam a fazer parte do espaço dela.

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O que me chocou bastante – e vou apresentar uma queixa à administração do cemitério da Ajuda -, foi ter constatado que por cima das flores e da campa da Tina, estavam as tiras de lona com que os cantoneiros costumam fazer descer o caixão à sepultura, quando existe espaço à volta para depositar essas tiras.

22072016_02a

 

E-mail enviado ao cemitério da Ajuda:

Data: sex 22/07/2016 15:49
Para: ‘cemiterio.ajuda@cm-lisboa.pt’

Boa tarde

Minha esposa faleceu no passado dia 18, foi enterrada nesse cemitério a 19 e hoje, dia 22, de visita à campa dela (nº. 3659-17), constatei que por cima das flores e da campa, encontravam-se as tiras de lona com que os caixões são descidos à terra, quando existe imenso espaço em redor para colocar as referidas tiras de lona.

Considero isso uma enorme falta de respeito para quem já não pode reclamar mas que tem quem o faça por ela.

Sem outro assunto de momento,

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43: 21.Jul.2016

0-lutotransp200O descanso e a paz não querem nada comigo. Fui acordar a Vera às 09:30 horas e tive de ser eu a tirar-lhe os valores (51) dado que estava extremamente agressiva.

Pedi-lhe ontem para nos levantarmos hoje cedo para irmos ao hospital S. Francisco Xavier levantar o espólio da mãe mas em primeiro lugar estão outras coisas que já nem menciono.

Realmente a vida já não tem nenhum significado para mim.

De tarde, tratei de finalizar o contrato de construção da lápide para a sepultura da Tina e o modelo escolhido, por ser o mais económico, foi este:

lapide_sepultura
Irá levar a inscrição com a data do nascimento e do falecimento, o nome da Tina e a Eterna Saudade do seu Marido, Filhas e Netas, uma vez que a família da Tina não mostrou qualquer interesse em ajudar na compra da lápide.

Sinto-me muito triste, sozinho, sem a presença da Tina que, mesmo doente, foi a minha companhia durante 52 anos. Eu sei que sou egoísta ao pensar assim e que ela estaria a sofrer mas custa muito a separação nestes termos. Não é justo ela ter sofrido tanto. Nem ter partido deste geito…

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42: 20.Jul.2016

0-lutotransp200À noite, o sono teima em não aparecer, entrar no quarto que foi nosso durante tantos anos, causa uma dor tremenda e embora já não partilhássemos a mesma cama para que a Tina estivesse o mais confortável possível na sua agonia, eu estive sempre ao lado dela, deitado num divã, velando para que um ai que desse fosse logo ter com ela para confortá-la.

A Tina partiu e deixou um vazio no meu coração que não voltará a ser preenchido. Esta madrugada, estive a arrumar as coisas pessoais da Tina, a ensacar os inúmeros medicamentos que tomava para os deitar no lixo, a levantar a roupa da cama, a última que lhe serviu de repouso e a vazar o colchão pneumático anti-escaras. Doloroso a valer. Não existem palavras que traduzam o turbilhão de sentimentos enquanto fazia estas pequenas tarefas.

A cama da Tina já limpa de lençóis e coberta:

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Hoje, fui com a Vera a Algés mas a minha cabeça não estava ali. As imagens da descida à Terra do corpo da Tina, o som que produzia ao bater no caixão, martelavam constantemente o meu cérebro e várias vezes as lágrimas caíram, teimosas…

Costumam dizer que a vida continua… Pode ser que sim, mas já não é igual à que tinha sido antes.

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41: 19.Jul.2016

0-lutotransp200A Tina foi hoje a sepultar pelas 10:30 horas, tendo sido efectuado um acto religioso cerca das 10:00 horas na Casa Mortuária da igreja de Alcântara e o serviço esteve entregue à agência Almeida que foram extremamente competentes, desde o início, em toda a linha.

O cortejo fúnebre seguiu depois para o cemitério da Ajuda e a Tina foi depositada na campa nº. 3659. Ainda não consegui digerir a situação, mais parecendo que estou vivendo um terrível pesadelo.

A separação, ao fim de 52 anos foi extremamente dolorosa e será muito difícil apagá-la da minha memória nem que eu vivesse mais 200 anos.

Assim como lhe demos um final de vida o mais digno e confortável possível, com todos os cuidados que os vários médicos que a assistiram NUNCA QUISERAM DAR à Tina, também o seu corpo dado à Terra terá a mesma dignidade durante os próximos 5 anos de sepultura, com a construção de uma cercadura e lápide em mármore (com floreira).

Este serviço apenas será efectuado daqui a mês e meio sensivelmente dado que obedece a critérios logísticos do cemitério da Ajuda.

Descansa em Paz meu amor. Nunca te esquecerei. A cama onde passaste os teus últimos dias, será a minha até ir ter contigo.

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40: 18.Jul.2016

01.MAI.1935 – 18.JUL.2016

0-lutotransp200A Tina exalou o seu último suspiro no hospital de S. Francisco Xavier, cerca das 00:45 horas de hoje, dia 18 de Julho de 2016.

Foram 52 anos de casamento, duas filhas e duas netas. É uma dor imensa quando vemos partir um ente querido e comparado a esta dor, apenas recordo a do meu querido Pai que me deixou aos 16 anos e que parece ter sido ainda ontem.

Que o espírito da Tina descanse em paz. Um dia destes vou ter contigo minha querida. Nunca serás esquecida.

O funeral realiza-se na terça-feira, dia 19 de Julho de 2016 (às 10:30 horas, precedido de acto religioso), para o cemitério da Ajuda e o corpo será depositado na igreja de Alcântara, obedecendo à índole religiosa da Tina.

DESCANSA EM PAZ, AMOR…

tina-transp

 

drjosegomesDr. José Gomes
Coordenador USF Descobertas
Especialidade: Medicina Geral e Familiar

Este senhor, quando a Tina começou a queixar-se, anos atrás, que estava a perder a memória, disse-lhe que era da “idade”…

O psiquiatra da Fundação Champalimaud, o último a dar uma consulta à Tina no início deste ano de 2016, achou estranho que logo começaram as queixas de perda de memória, o médico não tivesse de imediato mandado fazer TAC’s e exames ao cérebro…

Mesmo que a doença já estivesse a germinar, nessa altura existia uma série de procedimentos tendentes a retardar o que viria dar, anos depois, na sua morte hoje ocorrida.

Casa Mortuária de Alcântara (velório da Tina)

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